Decisão do Conselho de Ética gera crise na bancada do PT

Por Fernando Exman BRASÍLIA (Reuters) - A decisão do Conselho de Ética do Senado de manter o arquivamento das ações apresentadas contra o presidente da Casa, José Sarney (PMDB-AP), aumentou a divisão dentro da bancada do PT na Casa.

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Seguindo a orientação do Palácio do Planalto, três senadores petistas votaram contra os recursos da oposição que pretendiam dar andamento às investigações contra Sarney. O líder do PT no Senado, Aloizio Mercadante (SP), entretanto, criticou a postura dos colegas e reafirmou que seu cargo está à disposição da bancada.

"A minha vontade hoje verdadeira era sair da liderança do PT", destacou Mercadante a jornalistas.

"Só não vou contribuir para agravar a crise da bancada... Não reivindico continuar líder, não pleiteio, só não sou uma pessoa de deixar a minha bancada e o meu partido em um momento tão difícil."

Mercadante recusou-se a ler no Conselho de Ética uma nota do presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), orientando os senadores do partido a reforçar a defesa de Sarney. O gesto irritou os senadores do partido que integram o colegiado, já que todos temem o impacto negativo do posicionamento do partido nas eleições de 2010.

O presidente do Senado, que enfrenta uma série de denúncias, é visto pelo Palácio do Planalto como um aliado estratégico no Congresso e na construção da candidatura da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) à Presidência.

O líder do PT disse que era favorável à abertura de uma investigação sobre supostas irregularidades cometidas por Sarney na administração do Senado, como a suposta participação do peemedebista na edição de atos secretos. Com a sua recusa, no entanto, a nota do presidente do PT foi lida na sessão do Conselho de Ética pelo senador João Pedro (PT-AM).

A entrevista de Mercadante foi concedida após reunião com parte da bancada do PT no Senado, que mantém o apoio à permanência do senador no cargo. Delcídio Amaral (PT-MS) e Ideli Salvatti (PT-SC), líder do governo no Congresso, que votaram junto com João Pedro pela manutenção do arquivamento das denúncias contra Sarney, não participaram do encontro.

"Seria hipocrisia eu ler uma carta que eu não concordo", argumentou Mercadante, lembrando que sua posição era igual à da maioria da bancada.

Não bastasse, a senadora Marina Silva (AC) anunciou nesta quarta-feira que está deixando o PT, possivelmente para se candidatar à Presidência da República pelo PV. E o PT deve ainda perder outra cadeira no Senado.

O senador Flávio Arns (PR) disse aos senadores petistas que também pretende sair da sigla, pois concluiu que o PT abandonou a bandeira da ética.

"Fico sem mandato, mas não fico no PT. Não estou nervoso nem decepcionado, estou envergonhado, profundamente envergonhado"m afirmou Arns a jornalistas, acrescentando que ainda não sabe seu destino.

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