Decea: inglês de controladores não eleva risco em vôos

O diretor-geral do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea), brigadeiro-do-ar Ramón Borges Cardoso, negou hoje em entrevista coletiva que a falta de fluência em inglês dos controladores de vôo do País represente um perigo real de acidentes. Probabilidade de acidente existe em qualquer meio de transporte.

Agência Estado |

No nosso caso, é ínfima: 0,00022% - é um número razoável", afirmou, contestando informação divulgada hoje no jornal "O Globo", segundo a qual a Aeronáutica estaria preocupada com aumento do risco de acidentes por causa do número reduzido de controladores com domínio da língua inglesa. Segundo dados do Decea, apenas 350 (11,4%) dos 3.052 controladores de vôo do País submetidos a teste para verificar o conhecimento de inglês atingiram nível 4 ou superior - numa escala de 1 a 6 -, padrão estabelecido pela Organização de Aviação Civil Internacional (Oaci).

"Foi passada a idéia de que a Aeronáutica reconhece uma falha. Não é bem isso", disse o brigadeiro. Segundo ele, dos 190 países associados à Oaci, apenas 52 atingiram a meta em 2008. "Todos os demais não atingiram e estabeleceram planos de mitigação até 2011. Desses países, pelo menos 89 estão no mesmo nível do Brasil, entre eles Alemanha, França, Espanha, Itália, Rússia, Portugal, Colômbia, México, Venezuela, China e Equador." O brigadeiro afirmou que a meta de ter todos os controladores com nível 4 será cumprida até 2011.

O diretor-geral do Decea disse que houve modificações no processo de formação dos controladores. A partir de 2007, começou a ser exigido dos candidatos nível intermediário de inglês. Não há, porém, prova oral. Até 2006, exigia-se o básico. Também foram criados, segundo ele, cursos específicos de inglês para os controladores, e o nível de inglês passará a constar na carteira funcional. Os quatro centros de controle do País, afirmou o brigadeiro, têm sempre pelo menos um funcionário de nível 4 de plantão.

No período de cinco anos, de 2003 a 2007, foram registrados 10 "incidentes" relacionados à falta de entendimento de inglês nos diálogos entre pilotos e controladores, dos quais 3 considerados graves. "Ou seja, uma vez a cada seis meses houve uma interferência em que foi necessária intervenção", declarou o brigadeiro. "Nunca tivemos no Brasil um acidente em que a falta de conhecimento da língua inglesa tenha sido fator contribuinte. No acidente da Gol, não houve comprometimento da língua. Nossa situação é de completa segurança", afirmou. À Oaci, a possibilidade de risco foi relatada pela Aeronáutica como "remota".

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