conforme antecipou o Último Segundo, Renan e Collor, com respiração ofegante, vociferaram contra Simon quando ele disse que a renúncia do presidente é o caminho para a ¿paz¿ no Senado." / conforme antecipou o Último Segundo, Renan e Collor, com respiração ofegante, vociferaram contra Simon quando ele disse que a renúncia do presidente é o caminho para a ¿paz¿ no Senado." /

Debate sobre futuro de Sarney provoca bate-boca entre Renan Calheiros, Collor e Simon

BRASÍLIA - Os senadores Pedro Simon (PMDB-RS), o líder de seu partido, Renan Calheiros (PMDB-AL), e Fernando Collor (PTB-AL) bateram boca no plenário do Senado ao discutir o futuro de José Sarney (PMDB-AP) no comando da Casa. Iniciando a ¿guerra¿ prometida por aliados de Sarney, http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/03/sarney+diz+que+fica+e+pmdb+vai+para+a+guerra+dizem+aliados+7655901.html target=_topconforme antecipou o Último Segundo, Renan e Collor, com respiração ofegante, vociferaram contra Simon quando ele disse que a renúncia do presidente é o caminho para a ¿paz¿ no Senado.

Camila Campanerut e Severino Motta, de Brasília |

O afastamento, a renúncia, é gesto de grandeza que pode realmente trazer a paz a esta Casa, disse Simon, sendo replicado por Renan:
Lamento que o esporte preferido de Vossa excelência nos últimos 35 anos tenha sido falar mal do Sarney.

Renan ainda disse que Simon guarda mágoas de Sarney pois queria ter sido indicado à vice-presidência da República na chapa com Tancredo Neves. [Os ataques acontecem] Pois Vossa Excelência não teve a vaga de vice na chapa de Tancredo. Perdeu a indicação, disse.

Renan foi além, e disse que Simon faz um jogo-duplo no Senado pois apoiou a candidatura de Sarney à presidência da Casa e no início da crise, segundo Calheiros, teria ido até o gabinete da presidência se solidarizar.

Faz isso [dar apoio a Sarney] no particular e defende da tribuna a posição que imagina que a sociedade está a defender, disse Calheiros.

Simon tentou responder Renan dizendo que seu colega era o exemplo do fisiologismo, uma vez que se aliou a todos os presidentes da República. Foi na China e fez acordo com Collor, é um dos homens do Collor. Na véspera de Collor ser cassado largou o Collor. E lá pelas tantas apareceu de ministro da Justiça do FHC. Lá pelas tantas largou o FHC e agora é homem da confiança absoluta do Lula, disse.

Ao ouvir as palavras, Collor pediu um aparte e, com a respiração ofegante, disse que não aceita provocações de Simon, chamando-o de parlapatão e ameaçando-o com denuncias.

As palavras são a mim e minhas relações políticas que eu não aceito.
São palavras que quero que o senhor as engula e as digira como julgar conveniente (...) Essa Casa não pode se agachar e não haverá de se agachar àquilo que a mídia deseja. Ela não conseguirá retirar o presidente Sarney desta cadeira, não conseguirá. Nem ela nem o senhor. Nem quem mais esteja deblaterando como o senhor deblatera, parlapatão que é, atacou.

Collor ainda ameaçou Simon dizendo que, caso seu nome seja novamente citado, vai trazer à tona denúncias contra o peemedebista. Peço que, por gentiliza, evite pronunciar meu nome nesta Casa, pois a próxima vez que tiver de pronunciar o nome de Vossa Excelência nessa Casa eu gostaria de relembrar alguns fatos, alguns momentos, talvez incômodos, que acho que seria de muito interesse da nação conhecer.

Após a troca de agressões, Simon retomou a palavra e voltou a defender a renúncia de Sarney, dizendo que sua mensagem foi de paz e entendimento e que agiu no interesse do Senado.

Ao ouvir o que chamou de debate acalorado, o líder do PSDB, Arthur Virgílio (AM), ingressou no plenário, pediu a palavra e se solidarizou com Simon. Disse que o Senado está sangrando de mais e que o clima é de fingir que as coisas não estão acontecendo contra Sarney, mas que não vai ingressar neste jogo.

Quem também defendeu Simon foi o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Disse que o colega não deve engolir nada. O povo não quer que Vossa Excelência engula nada. Estamos nessa situação pois engolimos coisas há muito tempo. Ser omisso é engolir sob a desculpa de não conhecer. Subscrevo sua fala e não engula nada.

Engolir não engulo, digo o que tem que ser dito na hora que tem de ser dito, disse Simon.

Interrupção

Sem haver esfriamento do debate, o senador Mão Santa (PMDB-PI), que preside a sessão, chegou a cortar os microfones de Renan e Simon. Renan acusava Simon de ter prejudicado a exportação de carne quando foi ministro da Agricultura. Simon reagiu aos berros, dizendo que tudo era uma mentira.

Renan ainda repetiu por várias vezes que o Brasil deveria conhecer Simon, e ficou a fazer ameaças veladas. Simon respondeu que o Brasil já conhecia Calheiros, quando os microfones foram cortados.

Na volta do áudio, Collor fez uma extensa defesa à permanência de Sarney na presidência do Senado. De acordo com ele, ninguém tem tanta experiência quanto o peemedebista para ocupar o cargo. Ele comparou Sarney a Getúlio Vargas e pediu que resista no cargo.

Durante o pronunciamento, Collor ainda aproveitou para fazer uma pequena defesa de seu período à frente da presidência da República.
Ele alegou nem sempre a voz das ruas deve ser ouvida e citou a experiência alemã sob o comando de Hitler, que instituiu uma espécie de juízes populares, levando à condenação de judeus a partir da pressão da opinião pública.

Com os caras pintadas muitos ficaram enebriados (...) Com isso sofri muitas injustiças, disse.

Ausência de Sarney

Todo o debate aconteceu após o presidente do Senado, José Sarney, ter deixado a cadeira e ter se dirigido a seu gabinete. Simon ainda tentou usar a palavra quando seu colega estava no comando da Casa, mas como não estava inscrito na lista de oradores e não encontrou nenhum parlamentar que lhe concedesse seu espaço, teve que deixar sua fala para o segundo momento da sessão.

Nesta segunda, após deixar o plenário, Sarney disse que não irá renunciar ao cargo . Estou com espírito muito bom. Isso [renúncia] não existe, afirmou. 

 Assista ao vídeo da discussão no Senado:


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