Debate sobre candidaturas estaduais abre crise no PT

Por Fernando Exman e Natuza Nery BRASÍLIA (Reuters) - A direção nacional e o PT nos Estados não estão falando a mesma língua. Apesar do esforço pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de firmar um arco de alianças competitivo para 2010, o partido enfrenta o dilema de lançar candidaturas próprias ou ceder espaço ao PMDB.

Reuters |

Considerado parceiro preferencial, o apoio do PMDB é estratégico para a campanha da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil), mas questões regionais podem dificultar um entendimento entre as duas legendas.

O desafio é grande: há divergências nos maiores colégios eleitorais do país, a exemplo de São Paulo, Minas Gerais, Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.

"Temos que ter claro que devemos construir palanques fortes (para Dilma) em 2010. Para isso, é necessário muita coesão partidária, muito diálogo com as forças aliadas e que os nossos dirigentes tenham o juízo necessário para não priorizar a luta interna ao invés do que seria melhor para o nosso projeto", disse à Reuters o secretário-geral do PT, deputado José Eduardo Cardozo (SP).

A crise no PT tornou-se pública após o presidente da legenda, deputado Ricardo Berzoini (SP), ter desautorizado o ministro da Justiça, Tarso Genro, a tratar de sua candidatura no Rio Grande do Sul de forma antecipada, enquanto a cúpula petista tenta negociar palanque para Dilma no Estado.

Berzoini defende que os processos de definição das chapas que disputarão os governos estaduais têm de seguir as orientações nacionais. Tarso Genro, um dos pré-candidatos ao Palácio do Piratini, não gostou das declarações do colega, o que levou a briga à imprensa.

"O Rio Grande do Sul não é o único exemplo", alertou o senador Paulo Paim (PT-RS).

Em São Paulo, o PMDB de Orestes Quércia já anunciou apoio ao governador José Serra, pré-candidato do PSDB à sucessão presidencial.

Em Minas, o PT está dividido e o PMDB tende a lançar candidato próprio ao governo do Estado.

Na Bahia, maior eleitorado do Nordeste, PT e PMDB podem ficar em lados opostos e o PMDB unir-se a Serra. No Rio, a direção nacional do PT tenta evitar uma candidatura própria em favor da reeleição do governador Sérgio Cabral (PMDB).

"A tática de querer estabelecer uma política de alianças ampla é legítima, mas é preciso respeitar as realidades de cada Estado", acrescentou Paim. "A única forma de resolver isso é a Dilma ter dois palanques (onde não houver composição)."

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