De olho nos pés

De olho nos pés Por Eduardo Toledo de Aguiar* Os pés são frequentemente desprezados pelas pessoas. Ficam lá embaixo, às vezes difíceis de serem alcançados e são lembrados somente quando algum problema os aflige.

Agência Estado |

Muitos médicos ao examinarem seus pacientes não dão a devida importância às pernas ou pés. É importante lembrar que a avaliação médica nessas regiões pode dar informações relevantes sobre o estado de saúde do paciente.

A queixa de dor na perna ao andar, principalmente quando desaparece minutos após interromper a marcha, leva o indivíduo a pensar que está fora de forma ou ficando velho. Se o pé é mais frio, pálido e no momento do exame o médico não consegue palpar pulsações no dorso do pé e no tornozelo o diagnóstico de doença arterial obstrutiva periférica (DAOP) deve ser feito. É a obstrução do fluxo sanguíneo arterial para as pernas que dificulta a marcha. A causa desta obstrução em mais de 95% dos casos é a aterosclerose.

É a mesma doença que causa o enfarte do miocárdio e o acidente vascular cerebral (AVC). As pessoas com DAOP tem alta chance de já ter as artérias coronárias comprometidas, mas de forma silenciosa (sem sintomas).

Calosidades que ocorrem na planta do pé podem ser indício de falta de sensibilidade, o que indica que os nervos sensitivos estejam lesados. Esta lesão é provocada pelo diabetes na maioria das vezes. Se houver ferida de cor escura no centro deste calo e não dolorosa, o diagnóstico de lesão de nervos sensitivos está praticamente confirmado - a chamada neuropatia periférica.

O diabetes atinge aproximadamente 7,5% da população brasileira de idade entre 20 e 70 anos e a metade destes não sabe que é diabético e confirma o diagnóstico quando surge a complicação.

A presença de feridas na região do tornozelo ou no pé que demoram a cicatrizar é indício de problema circulatório e indica grave comprometimento da pele. Estas pessoas são frequentemente hipertensas ou diabéticas ou ambos, além de fumantes.

Como a doença circulatória não é localizada apenas nos vasos que trazem o sangue para o membro inferior, é lícito pensar que outros órgãos possam também estar comprometidos em maior ou menor gravidade, como olhos, rins e coração.

Estes são alguns exemplos de como a avaliação médica dos pés pode indicar a presença de doenças crônicas que se complicam com eventos cardiovasculares - enfarte e AVC. Visite seu médico regularmente.

*Eduardo Toledo de Aguiar é médico formado em 1972 na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), com residência em Cirurgia Vascular no Hospital das Clínicas da FMUSP. É membro do Colégio Brasileiro de Cirurgiões (CBC), da Sociedade Brasileira de Angiologia e Cirurgia Vascular -SBACV e diretor da clínica Spaço Vascular - http://www.spacovascular.com.br.

*(**) O conteúdo dos artigos médicos é de responsabilidade exclusiva dos autores.

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