De olho no governo de São Paulo, Skaf já pede votos

SÃO PAULO - Conto com seu voto? O pedido, franco e direto, feito ao final da entrevista com o presidente da Fiesp, Paulo Skaf, contrasta com as declarações do empresário durante duas horas de conversa em que usou de prudência ao comentar sua possível candidatura a governador do Estado de São Paulo.

Reuters |


Skaf, que se filiou ao PSB há uma semana, afirma que só concorreria a um cargo no Executivo, já que considera não ter aptidão para o Legislativo.

"Até março normalmente as coisas se definem", disse o empresário à Reuters nesta quarta-feira.

Para disputar o Executivo paulista, Skaf poderá ter de enfrentar a concorrência interna do deputado Ciro Gomes (PSB), que transferiu seu domicílio eleitoral do Ceará para São Paulo também na semana passada.

"O convite do PSB para ser candidato já houve. Eu fiquei de pensar. Mas existe esta questão do Ciro Gomes. Não terá embate se a decisão for de Ciro ser governador. Ele terá o meu apoio."

AE
Skaf e o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão
Paulo Skaf e o ministro Edison Lobão
Neste caso, Skaf estará fora da eleição do ano que vem. "Aí não serei candidato. Não tenho perfil parlamentar... Meu perfil é do Executivo."

A intenção declarada de Ciro Gomes é disputar a sucessão presidencial. Sua candidatura em São Paulo é desejo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que quer deixar o campo dos aliados na eleição à Presidência para a ministra Dilma Rousseff (PT).

Ciro telefonou para Skaf quando o PSB decidiu pela mudança do título, afirmando que o presidente da Fiesp é "um grande candidato".

Socialismo na Bolsa de Valores

Concorrendo pelo PSB, Skaf, líder empresarial há cerca de dez anos, terá em tese que defender o estatuto da legenda a que se filou, que prevê como ponto principal a "socialização dos meios de produção". Para Skaf, esta máxima dos socialistas já está em prática em pleno regime capitalista.

"A partir do momento que você tem empresas de capital aberto que democraticamente pulverizam as ações (vendidas na bolsa) para a sociedade, isso não é socializar os meios de produção?", questionou.

E resumiu: "Aquela figura do único dono (de empresa), não é a realidade hoje".

Skaf, paulista de 54 anos, acredita que pode dar um salto maior na carreira participando de forma mais ampla da política. "As grandes decisões do país estão nas mãos dos políticos", justificou.

Apesar de dizer que "90 por cento" das legendas o convidaram para filiação, a definição do partido levou em conta o espaço para uma candidatura ao governo paulista.

"Partidos grandes estão muito ocupados e preciso vislumbrar (uma candidatura) num futuro não muito distante. No PSB senti que haveria o espírito e a vontade que eu tivesse maiores responsabilidades num futuro próximo", explicou, citando conversas também com DEM, PMDB e PSDB.

Siglas como PV e PR também foram objeto de contatos.

De todas as legendas, o PMDB parece ter sido o mais cobiçado. Skaf, no entanto, aceitou a explicação de Orestes Quércia, presidente regional da sigla, de que fez acordo com o governador do Estado, José Serra (PSDB), que prevê apoio a um candidato tucano para o Estado tendo o próprio Quércia como opção ao Senado.

O PT, que não frequentou sua agenda de contatos, deixou claro que resiste em apoiar sua eventual candidatura, apesar de o PSB ser aliado tradicional dos petistas. O principal motivo é a campanha vitoriosa liderada por Skaf contra a CPMF em 2007. Skaf lamentou a posição, lembrando que foi dos poucos empresários que apoiou a candidatura Lula em 2002.

Skaf, que depois de ter passado pelo setor têxtil não está à frente de nenhuma empresa, cursou mas não terminou a faculdade de Administração de Empresas no Mackenzie.

A educação deve ser um dos carros-chefe de uma possível plataforma eleitoral. "Estamos fazendo na Fiesp mais do que qualquer governo", disse, citando o universo de 1,5 milhão de alunos do sistema Sesi-Senai.

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