De olho em recomposição de estoques, Brasil retoma ritmo

Por Aluísio Alves SÃO PAULO (Reuters) - Após ter sofrido um prejuízo de 2,5 bilhões de reais em 2008, em meio à combinação de crise, volatilidade no câmbio e nos preços das commodities, a Braskem agora aposta que a necessidade dos clientes para repor estoques, a fragilidade de seus concorrentes no exterior e um novo acordo com a Petrobras para a nafta lhe permitirão registrar números melhores em 2009, mesmo com a desaceleração econômica.

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"Houve um desestocagem na cadeia devido à restrição de crédito, especialmente nos setores de agronegócio e de bens duráveis, mas a demanda já está sendo restabelecida", Disse Bernardo Gradin, presidente-executivo da petroquímica a jornalistas nesta quinta-feira, ao apresentar os resultados do ano passado.

Segundo ele, após a turbulência do último trimestre de 2008, em que a queda na demanda por resinas fez a companhia reduzir a cerca de 55 por cento o nível de utilização de suas fábricas em dezembro, essa taxa já está chegando a cerca de 80 por cento este mês e tende voltar aos níveis pré-crise até abril, de 90 por cento.

Segundo ele, se confirmada a expectativa de crescimento da economia doméstica em 2009, de 1,5 a 2 por cento, as vendas de resinas no país devem subir cerca de 3 por cento. Em 2008, o volume de vendas da companhia no país foi de 2 por cento. Por isso, planos de férias coletivas ou de demissões incentivadas estão descartados.

Em outra frente, Gradin avalia que a Braskem tende a se beneficiar dos efeitos do câmbio desvalorizado. Na sua avaliação, a companhia sentiu mais rapidamente os efeitos da disparada do dólar porque isso impactou instantaneamente o endividamento, que é referenciado na moeda norte-americana. Isso levou a um resultado financeiro líquido negativo de 3,7 bilhões de reais.

Como tem boa parte dos custos de produção em reais, agora a companhia tende a ganhar competitividade frente a concorrentes estrangeiros, avaliou, especialmente para enfrentar uma esperada sobre oferta de polietileno, situação que ele classificou como um "desafio enorme".

Além disso, a empresa manteve uma posição de caixa de cerca de 3 bilhões de reais, acima dos 2,4 bilhões de reais em dívidas vincendas em 2009, o que deixa a companhia numa posição de liquidez confortável.

"Esse é um diferencial importante, porque diversos dos nossos concorrentes no exterior estão enfrentando problemas sérios de endividamento", disse Gradin.

Ele afirmou que, por ter esse perfil mais confortável de dívida, a Braskem tem sido procurada por bancos com o objetivo de alongar seus vencimentos, hoje de 11 anos. Uma primeira operação já foi aprovada na quarta-feira pelo Conselho de Administração, que prevê a contratação de um empréstimo de cerca de 200 milhões de dólares junto à Caixa.

NAFTA

O presidente da Braskem afirmou que as negociações com a Petrobras para definir um novo critério de definição de preço da nafta, que se arrasta há meses, devem ser finalizadas este mês. O produto representa 80 por cento dos custos da Braskem, que compra cerca de 5 milhões das 8 milhões de toneladas de nafta da Petrobras.

"O novo acordo vai permitir a definição do preço em prazos maiores", disse.

Atualmente, o preço é reajustado mensalmente com base na variação do mês anterior. Em 2008, o preço da tonelada da nafta, que era de 829 dólares em janeiro, subiu a mais de mil dólares em junho e caiu para 258 dólares em dezembro.

Gradin reafirmou que a construção do parque fabril no Rio Grande do Sul, que vai fabricar polietileno a partir de matéria-prima renovável, deve ser iniciada este mês, com a conclusão prevista para o final de 2010.

O cronograma dos projetos na Venezuela, Bolívia e Peru também foram mantidos. A companhia planeja para 2009 investimentos da ordem de 909 milhões de reais, ante 1,4 bilhão de reais no ano passado.

Às 14h19, as ações da Braskem exibiam queda de 1,5 por cento, cotadas a 4,64 reais. No mesmo horário, o Ibovespa recuava 2,59 por cento, a 37.409 pontos.

(Edição de Alberto Alerigi Jr.)

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