De bem com a balança

De bem com a balança Por Deborah Bresser São Paulo, 30 (AE) - A notícia parece boa demais para ser verdade. Um estudo norte-americano, realizado por uma equipe multidisciplinar liderada pela médica Katherine M.

Agência Estado |

Flegal, PhD do Centro de Controle e Prevenção de Doenças de Atlanta, Geórgia, concluiu que estar um pouco acima do peso pode ser benéfico para a saúde. A pesquisa foi publicada na respeitada revista médica "Journal of the American Medical Association", mas está longe de ser um salvo-conduto para enfiar o pé na jaca.

As principais críticas ao levantamento se referem ao critério usado para avaliação, o Índice de Massa Corporal (IMC - obtido com o peso dividido pela altura ao quadrado), que é variável e não leva em conta a composição corporal - que identifica, por exemplo, o que é músculo e o que é gordura no organismo.

Segundo a pesquisa, a população com uma gordurinha extra, com IMC entre 25 e 30 (acima disso são considerados obesos, entre 18 e 25 são ‘normais’), teria um organismo mais resistente, o que facilitaria sua recuperação de cirurgias sérias, ferimentos e infecções. Apesar de o peso extra ser fator de risco para o aparecimento de diabetes e doenças renais, por outro lado, de acordo com os pesquisadores, um pouco de ‘reserva’ agiria como proteção contra cânceres e doenças do coração.

A favor do estudo estão os números. Os cientistas descobriram que pessoas um pouquinho acima do peso apresentavam índice de mortalidade mais baixo quando comparadas a obesos, magros e a pessoas dentro da faixa de peso normal. Os dados de mortalidade analisados vão até 2004 e incluem 2,3 milhões de adultos americanos. A análise constatou cerca de 100 mil mortes a menos do que o esperado para as pessoas ligeiramente acima do peso. Essas pessoas, sugere a pesquisa, parecem correr um risco 40% menor de morrer de enfisema, pneumonia, Alzheimer e infecções do que os de peso normal.

Por aqui, a despeito da seriedade e lisura do estudo, os médicos preferem manter o discurso de que gordura é, sim, fator de risco para a saúde. "O artigo é bem desenhado e escrito, sendo confiável. No entanto, quanto à obesidade, não há dúvidas de que a incidência de diversos cânceres aumenta muito, bem como os riscos de doenças cardiovasculares e diabetes", opina o cirurgião Paulo de Tarso Lima, especialista em medicina integrativa.

"Há alguns anos tem se discutido esses trabalhos de longa duração que, de certa forma, procuram absolver os indivíduos com sobre peso em comparação a outros grupos. Inúmeros estudos são incontestes, mostrando que a medida que se ganha peso, há um aumento exponencial de doenças de caráter não transmitido, como a hipertensão, diabetes, distúrbios metabólicos e doenças cardiovasculares", pondera o nutrólogo e professor da Unifesp, Mauro Fisberg.

Doutor em Endocrinologia pela USP, Fillipo Pedrinola faz um alerta:"O estudo não pode funcionar como incentivo. Quem tem IMC de 30 está no caminho da obesidade, que aumenta o risco de mortalidade".

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