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De Forno Alegre a banho de Lua, entenda o fenômeno que tem mudado a rotina no verão

Mais um dia escaldante. A onda de calor que atinge boa parte do País elevou a temperatura mais uma vez nesta sexta-feira. Segundo informações do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), no Rio Grande do Sul, a temperatura chegou a 33ºC, mas a sensação térmica foi de 40ºC. No Rio de Janeiro, os termômetros marcaram 38ºC. As duas cidades têm registrado picos de 40ºC neste verão.

Camila Nascimento e Carolina Rocha |

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    AE
    Garoto se refresca no Rio Guaíba durante o pôr-do-sol em Porto Alegre
    Garoto se refresca no Rio Guaíba durante o pôr-do-sol em Porto Alegre

    "Forno Alegre"

    O calor é tanto que, entre os gaúchos, Porto Alegre tem sido chamada de "Forno Alegre". As temperaturas sufocantes registradas desde o início da semana já provocaram transtornos como falta de energia e água em pontos isolados da região metropolitana de Porto Alegre.

    Embora não seja tão intensa como as de 1917, 1943, 1985 e 2006, a onda atual é responsável por alguns recordes. A madrugada de quarta-feira foi a mais quente já observada na cidade desde o início das medições, em 1909. A temperatura mínima no Jardim Botânico, onde está localizada a sede do 8º Distrito de Meteorologia, foi de 27,9ºC, superior à de 26,9ºC verificada em 29 de janeiro de 1933.

    Durante o dia, os termômetros se aproximaram dos 38ºC. Na tarde de quarta-feira, tinham chegado até a 41,3ºC no bairro Menino Deus.

    Banho de Lua

    No Rio de Janeiro, o banho de Lua já virou moda entre os cariocas. Com calor até durante a madrugada, a praia fica lotada mesmo à noite.

    Na quinta-feira, a cidade registrou o dia mais quente do ano: os termômetros marcaram 40,9ºC na Praça Mauá, no centro, onde a medição é feita. Segundo o Inmet, a sensação térmica alcançou mais uma vez 50ºC (Leia também: quente ao extremo ).



    O fenômeno chamado El Niño tem sido determinante para esse calor extremo. É ele também, segundo os meteorologistas, o responsável pela sensação de abafamento e pelas tempestades de fim de tarde.

    A reportagem do iG ouviu o professor Augusto José Pereira Filho, docente do Instituto de Astronomia, Geofísica e Ciências Atmosféricas (IAG), da Universidade de São Paulo (USP), para entender como ocorre o fenônemo.

    O que é o El Niño e a La Niña?

    Os fenômenos El Niño e La Niña são alterações no clima que ocorrem na região sul da América do Sul. Eles são provocados pela oscilação da pressão atmosférica entre as regiões Leste e Oeste do Oceano Pacífico, na área entre a linha do equador e o trópico de Capricórnio.

    Quando a pressão atmosférica na região da Austrália e Indonésia é baixa, por consequência, ela fica alta na região da costa do Pacífico próxima à América do Sul.  E vice-versa.

    Essa oscilação pode causar três efeitos: o aumento da temperatura do oceano, quando ocorrem os El Niños; a diminuição desta temperatura, quando ocorre a La Niña, ou manter-se neutro.

    A diferença na temperatura do Pacífico pode chegar de 3 a 4 graus acima do que normalmente é registrado nas fases neutras.

    Quais são os efeitos do El Niño?

    O aquecimento da temperatura do oceano causa a formação de mais nuvens do que o normal. Estas nuvens são levadas pela pressão atmosférica para o continente e provocam mais chuvas do que o normalmente registrado nas fases neutras.

    O fenômeno causa reflexos em diversas partes do planeta, mais diretamente na Oceania e leste da Ásia, onde ocorrem secas.

    Existe uma quantidade de água limitada na atmosfera. Se chove em excesso aqui, falta água em algum lugar.

    De quanto em quanto tempo ocorrem esses fenômenos?

    O ciclo do oceano não é exato, mas ele oscila entre 3 e 7 anos e têm duração de aproximadamente um ano.

    Existe diferença na intensidade do El Niño?

    Sim, o fenômeno pode variar de intensidade, dependendo da quantidade de graus a mais no oceano. Os mais fortes chegam a 4 graus acima da média em épocas neutras.

    O El Niño está mais forte neste ano?

    Não. O fenômeno, neste ano, elevou a temperatura do oceano Pacífico em cerca de 1,5 e 2 graus.

    AE
    Cariocas no

    Cariocas no "banho de Lua" na praia do Arpoador

    Desde quando o El Niño está atuando nesta temporada?

    O El Niño está atuando no Brasil desde abril do ano passado. Por isso, o País registrou recorde de chuvas no mês de julho de 2009, o que não é comum para a época de inverno, especialmente no Sul e Sudeste.

    O mais interessante é que o El Niño deste ano chegou logo em seguida de uma La Niña. Até abril de 2009, estávamos sob o efeito da La Niña, o que causou enchentes na Amazônia.

    Por que está chovendo mais na região Sudeste que nos últimos anos?

    A Região Sudeste pode ser chamada, como no jargão futebolístico, uma caixinha de surpresas em relação ao El Niño.

    O fenômeno tem um padrão muito claro na região Norte do Brasil, onde ocorrem secas e, no Sul, onde aumentam as chuvas. Entretanto, a Região Sudeste é uma zona que varia e pode ser afetada com secas ou chuvas em excesso durante a atuação do El Niño.

    Esta variação dependerá de uma série de fatores anteriores como, pressão atmosférica, mudança na circulação do ar. Uma das possibilidades para o aumento das chuvas na região é a evaporação das chuvas da Amazônia, causadas pelo fenômeno La Niña no ano passado, que aumentou a quantidade de chuvas no País e provocou um levantamento das nuvens na região Sudeste, o que provoca o excesso de chuvas.

    O fenômeno La Niña atua de forma exatamente oposta ao El Niño, causando chuvas e secas nos lugares opostos.

    Este aumento tem alguma relação com o aquecimento global?

    Não. O El Niño e a La Niña são fenômenos que foram observados pelo homem há mais de 500 anos e nada tem a ver com o aumento da temperatura global.

    AE
    Garoto se refresca na represa do Jaguari na quinta-feira

    Garoto se refresca na represa do Jaguari na quinta-feira

    Por que o El Niño recebeu este nome?

    Pescadores da costa da América do Sul observaram que os peixes do mar sumiam na época do Natal e as chuvas aumentavam na mesma época. Eles atribuíram o fenômeno à chegada do Menino Jesus, El Niño em espanhol.

    Por que eles ocorrem apenas no Oceano Pacífico?

    O Oceano Pacífico é o maior oceano do mundo. Ele cobre cerca de 1/3 do planeta e é um grande gerador de energia.

    (*com informações da Agência Estado)

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