David Cronenberg, um diretor em busca da transcendência

ROMA, 23 OUT - O diretor canadense David Cronenberg, já considerado um clássico para os cinéfilos, comentou hoje em Roma, onde participa do Festival Internacional de Cinema, sobre seu trabalho como diretor, a importância da cultura pop e do progresso como escritor.

Agência Ansa |

"Não me sinto ainda à vontade para dizer de que coisa fala o livro, escrevi somente 50 páginas. Sendo filho de um escritor, pensava que também eu me tornaria um, e em vez disso sou um diretor", disse Cronenberg.

"Há 50 anos penso em escrever um romance e através da [editora] Penguin Canada já encontramos editoras em todo o mundo que o publicarão e isto me aterroriza: o livro ainda não existe. Posso dizer, porém, que não será nem um terror como Stephen King, nem uma história de ficção científica", acrescentou.

Questionado sobre a distinção entre filmes elitistas, cult, e a cultura popular, Cronemberg respondeu que se preocupa apenas em "utilizar todos os meios à disposição para criar uma ligação mais profunda com o público".

"Alguns filmes são impregnados de cultura pop e envelhecem logo, outros têm temas mais universais que talvez não sejam de impacto imediato", comentou o diretor. "Uma vez Oliver Stone me perguntou se eu estava feliz em permanecer um cineasta marginal. Creio que tudo dependa de quanto se considera amplo o próprio público".

"Claro que quando se faz um filme de US$ 100 milhões se tem expectativas diversas. Deve estar claro que partida se quer jogar. São, porém, categorias que não considero, sou totalmente guiado pela intuição", continuou. "Meu filme de maior sucesso foi 'A Mosca', que no entanto ficou longe dos bilhões de dólares de 'O Senhor dos Anéis'".

Nesse sentido, o cinenasta disse concordar com o escritor Vladimir Nabokov, um de seus preferidos, que dizia "que há uma enorme energia na vulgaridade do povo, discutindo as formas de entretenimento popular, e para um cineasta é perigoso ignorá-la".

No fundo, resumiu Cronenberg, "nós, seres humanos, somos somente animais que se imaginam e que têm o desejo de ser muito diferentes daquilo que são. Para fazer com que isso se realize, recorremos à religião, à cultura. Interesso-me muitíssimo por esta forma de transcendência, por este desejo do ser humano de ir além de si mesmo. Ainda que não o planeje, acabo falando disso em todos os meus filmes".

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