Das mulheres que fazem testes de HIV, 21,3% têm relacionamento fixo

Uma aliança dourada na mão esquerda, acompanhada da dúvida de tirar o sono na cabeça. Levantamento que acaba de ser concluído pelo Programa Estadual de Combate à Aids revela que uma em cada cinco mulheres que faz o teste gratuito de HIV é casada (21,37%).

Agência Estado |

A parcela semelhante de homens comprometidos (19,33%) foi identificada no grupo de pacientes do sexo masculino que busca saber se é ou não portador do vírus transmissor da doença.

No total, foram avaliados pela Secretaria de Estado da Saúde 6.186 prontuários de testes espontâneos, realizados no maior centro de referência da Capital, entre janeiro de 2007 e julho deste ano. “Percebemos que, atualmente, há uma procura importante de pessoas com relacionamento estável”, afirma a coordenadora do programa, Maria Clara Gianna. “Isso pode indicar que eles passaram por uma situação de risco durante o casamento. Seja porque tiveram uma relação extraconjugal ou por desconfiarem da traição do parceiro”, diz ela ao ressaltar que no sexo feminino o teste também é incentivado quando há gravidez.

A prevalência de homens e mulheres com compromisso fixo entre os que querem saber se são soropositivos está relacionada ao perfil de incidência de aids na Cidade. “É um dado interessante que está alinhado à tendência atual de transmissão do HIV. O maior número de casos novos é em heterossexuais e, no recorte do sexo feminino, a maioria é casada”, informa o secretário da Sociedade Paulista de Infectologia, Juvêncio Furtado.

Segundo o boletim divulgado este ano pela Prefeitura, de cada três paulistanos infectados pelo vírus, um é heterossexual (32,9%), líderes das novas ocorrências, deixando para trás os homossexuais (18% dos infectados), os bissexuais (7%) e os usuários de drogas injetáveis (17,9%). Outra estatística alarmante é que, enquanto a epidemia cresceu 75% entre os homens de São Paulo nos últimos dez anos, saindo de 28.025 casos acumulados em 1997 para 49.107 no ano passado, a explosão de registros entre mulheres foi duas vezes maior no mesmo período: 147% (7.514 notificações contra 18.577).

Parceiros

Na gama de ensaios científicos que colocam em xeque a sensação de que o casamento é imune à aids está a pesquisa da médica Naila Santos, defendida na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo. Foram entrevistadas 2.500 mulheres infectadas pelo vírus HIV. Metade delas tinha parceiro único no período da infecção e 40% desse total eram casadas.

Os números de pessoas casadas e heterossexuais nas estatísticas de aids não invalidam o perigo de transmissão entre os gays, ainda numerosos no ranking. Outro problema é a parcela de pessoas que convivem com o vírus, mas não sabem que têm a doença. Segundo a Unaids, entidade ligada à Organização Mundial de Saúde, só na capital paulista, 60% das pessoas nunca fizeram o teste que identifica o HIV. A estimativa do Ministério da Saúde é que 416 mil brasileiros são soropositivos e desconhecem o diagnóstico.

Fernanda Aranda

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