Quatro advogados disputam em São Paulo a mais poderosa e abastada seccional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Com 285 mil profissionais inscritos, a OAB paulista é o terceiro maior colégio eleitoral da categoria em todo o mundo.

Sua arrecadação anual é de R$ 200 milhões. A eleição para a presidência da seccional será terça-feira. Luiz Flávio Borges D’Urso, da chapa "Sou mais D’Urso", busca a segunda reeleição. Ele está no comando desde 2004. Os outros três candidatos almejam quebrar essa hegemonia e atingir o topo pela primeira vez. São eles: Rui Celso Reali Fragoso, da chapa "Em defesa da advocacia", Leandro Pinto ("Renovação da OAB-SP") e Hermes Barbosa ("OAB para todos").

O valor da anuidade paga pelos advogados, R$ 700, e a "perpetuação" de D’Urso no cargo são temas mais recorrentes. Os opositores do atual presidente criticam o eventual terceiro mandato. Mas aliados contam que ele se dispôs a brigar por mais uma gestão depois de receber apoio maciço - 208 dos 223 dirigentes de subseções em todo o Estado assinaram manifesto pedindo que fique. "Nada impede, nem o estatuto da OAB, que um advogado permaneça no cargo por mais de dois mandatos", destaca o veterano criminalista Mário de Oliveira Filho. "D’Urso executa um trabalho fantástico, deu autonomia e valorização às subseções. Ele pegou a Ordem quebrada. Está encerrando o segundo mandato com R$ 6 milhões em caixa, tudo quitado. Uma gestão transparente, as contas em dia. D’Urso fez defesa intransigente dos direitos e prerrogativas do advogado."

"O que estamos vendo é uma política de clientelismos, com benesses para as subseções, tudo o que os advogados sempre combateram", adverte Antonio Claudio Mariz de Oliveira, coordenador da campanha de Rui Fragoso.

O embate esquentou na quarta-feira, quando Fragoso anunciou que iria interpelar judicialmente D’Urso. Aliados do presidente estariam divulgando que Fragoso teria fraudado enquete em seu site apontando elevado índice de rejeição para o terceiro mandato. Na sexta, a turma de D’Urso deu o troco - cinco advogados que o apoiam pediram ao Ministério Público Federal investigação sobre suposta manipulação da enquete. "Estou estupefato com os rumos desta eleição", desabafou Mariz de Oliveira. "Sempre tive D’Urso na conta de um dirigente ético e respeitoso, por isso esperava que ele fizesse cessar essas manifestações."

O pleito mobilizará cerca de 220 mil advogados em condições de votar. O número pode ser alterado com a inclusão de novos inscritos, assim como dos inadimplentes que regularizarem sua situação financeira. Para o mandato 2010/2013 serão renovados o Conselho Seccional, a cúpula da Caixa de Assistência dos Advogados, além da direção das 223 subseções. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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