Dantas se nega a fornecer inquérito da Chacal a CPI

BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Dantas se negou a fornecer à CPI dos Grampos, nesta quinta-feira, cópia do inquérito da operação Chacal da Polícia Federal, que o denunciou por violação de sigilo, formação de quadrilha e receptação. De acordo com ele, o inquérito corre em segredo de justiça e não é possível garantir que membros da CPI não vazem o documento.

Severino Motta - Último Segundo/Santafé Idéias |

Seu eu tivesse como ter segurança de que isso não vazaria eu teria como fazer, mas não tenho como ter essa segurança, disse.

O documento solicitado pela CPI diz respeito somente à parte da investigação e do inquérito que acusam Dantas pelos crimes acima citados. Além de fazer menção ao temor de vazamento, o banqueiro ainda disse que a liberação de parte do inquérito pode prejudicar seus clientes, que tiveram seus sigilos quebrados no processo.

A negativa de Dantas foi criticada pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), que o acusou de desrespeitar a comissão. nenhum documento, até hoje, foi vazado pela CPI. Você está tratando a CPI de forma desrespeitosa.

Após as ponderações de Itagiba, Dantas foi auxiliado por seu advogado, que o orientou a dizer que não poderia fornecer cópia do inquérito por estar em segredo de Justiça.

Os crimes atribuídos a Dantas pela operação Chacal, de 2004, estão ligados à contratação da empresa Kroll para espionar a Telecom Itália, quando a empresa disputava o mercado de telefonia com seu grupo empresarial.

Dantas nega ter pedido à Kroll que cometesse qualquer tipo de irregularidade, como grampos. Disse que a Kroll também negou ter feito qualquer escuta clandestina. De acordo com ele, a empresa diz que as provas de suas irregularidades foram plantadas.

Além disso, Dantas disse que a Telecom Itália foi quem espionou seu grupo empresarial, que na época detinha o controle da Brasil Telecom e suspeitava de ter sido prejudicado no processo de privatização do sistema Telebras.

Devido a essa suspeita, a Brasil Telecom teria contratado a Kroll, para, segundo Dantas, colher provas dos grampos da Telecom Itália e de outras empresas envolvidas no processo de privatização, e cobrar o ressarcimento dos prejuízos na Justiça ¿ algo que não chegou a ser feito.

Dantas ainda disse que na procuradoria de Milão ( Itália), há um processo aberto sobre os grampos feitos pela Telecom Itália contra os adversários brasileiros que controlavam a Brasil Telecom. De acordo com ele, os grampos já estariam comprovados.

Satiagraha

A operação Satiagraha foi um desdobramento da operação Chacal. Nela Dantas foi condenado pelo crime de corrupção, por suborno à Polícia Federal, crime que ele nega. Ele também foi denunciado por crimes contra o sistema financeiro e evasão de divisas ¿ e aguarda julgamento.

Clima

Ao contrário do primeiro depoimento de Dantas à CPI, em agosto passado, o banqueiro, já condenado pela Justiça, está falando lentamente, com voz baixa e balançando os pés. Quando lhe foi solicitado que falasse mais alto, Dantas pediu que sua cadeira fosse trocada, uma vez que ele estava num patamar inferior aos demais membros da mesa. Apesar da troca, não ampliou o volume de sua voz.

Dantas veio à CPI ancorado por um habeas-corpus que lhe permite não responder perguntas que possam comprometê-lo. Veio ainda acompanhado por três advogados.

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