Dantas nega ordem de suborno e diz que PF sustou investigação da Kroll

BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Dantas limitou-se a falar de um passado já conhecido dos parlamentares durante a maior parte de seu depoimento na CPI dos Grampos nesta quarta-feira. Colocando-se na posição de vítima, e não de suposto mandante de interceptações telefônicas ilegais, Dantas disse que a operação Chacal, de 2004, foi montada, articulada para parar, acabar com a investigação de milhões de dólares desviados da Brasil Telecom.

Valor Online |


A Operação Chacal da Polícia Federal (PF) foi sobre a investigação que a empresa americana Kroll fez durante o conflito entre Dantas e a Telecom Italia pelo controle da Brasil Telecom (BRT).

"Não fui o responsável pela contratação da Kroll", disse Dantas. "Foi a Brasil Telecom quem contratou a Kroll para investigar a Telecom Italia", afirmou, ao ser questionado se mandou a empresa estrangeira grampear autoridades do governo. Dantas era controlador da BrT nessa época.

Ele deu à CPI dos Grampos na Câmara as mesmas informações que já tinha prestado à CPI dos Correios em 2006. Disse que a Kroll foi contratada pela BrT para perseguir o caminho do dinheiro na operação da compra da Companhia Riograndense de Telecomunicações (CRT). No negócio, a BrT oferecera US$ 750 milhões, mas a Telecom Italia, que não estava habilitada ao leilão, ofereceu US$ 850 milhões. A questão foi definida pela Justiça, que fixou um preço final de US$ 800 milhões.

O banqueiro repetiu que a Kroll investigava a quem o sobrepreço teria beneficiado. E afirmou que a Telecom Italia teria distribuído 25 milhões de euros em propinas no Brasil. O objetivo material da Kroll era o de identificar quem teria recebido o dinheiro.

A operação Chacal teria descoberto que a Kroll foi além na investigação e grampeou telefones de autoridades do governo atual, incluindo o ex-ministro de Comunicação Social do Palácio do Planalto Luiz Gushiken.

Para Dantas, toda a celeuma da operação Chacal foi para que a investigação da Kroll não fosse concluída. O banqueiro, que não usou do direito concedido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) para ficar em silêncio, disse que suspeitava que suas ligações telefônicas estavam grampeadas antes da Operação Satiagraha da Polícia Federal, que acabou culminando com sua prisão temporária e preventiva.

Mas ele negou ter mandado subornar um dos delegados da PF que dirigiu a Satiagraha. Também explicou aos parlamentares que o ex-deputado petista Luiz Eduardo Greenhalg foi contratado pelo Opportunity para negociar acordo com os fundos de pensão e assim desfazer a participação do banco na BrT, que seria vendida à Oi (ex-Telemar).

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