BRASÍLIA - O banqueiro Daniel Dantas disse nesta quarta-feira que a Operação Satiagraha ocorreu devido a articulações que teriam sido feitas pelo atual diretor-geral da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), Paulo Lacerda. De acordo com Dantas, Lacerda teria direcionado as investigações contra ele, em represália à divulgação de informações de que o diretor da Abin teria contas irregulares no exterior.

As informações teriam sido passadas para uma revista de grande circulação e, segundo Dantas, Lacerda pensa que ele teria sido a fonte do dossiê. As investigações contra Dantas teriam começado em 2004, quando Lacerda ainda estava no comando da Polícia Federal.

Em depoimento, Dantas negou ter divulgado qualquer informação sobre Lacerda. "Na época, fiz vários desmentidos à imprensa e enviei carta ao doutor Lacerda. As informações vieram nesta linha e, basicamente, me lembro do termo que dizia, que ele ia me botar um par de algemas", disse o banqueiro.

Dantas disse que chegou a ser informado no ano passado sobre a existência da investigação contra ele. "Em novembro do ano passado, fui informado de que existia uma operação encomendada na PF contra mim. Eu não dei muita credibilidade. São muitas informações que chegam todo dia. O que diziam é que isso tinha sido pedido pelo diretor da Abin, doutor Paulo Lacerda. E que isso ocorria como retaliação do doutor Lacerda ao atribuir a mim a responsabilidade de ter entregado a uma revista de grande circulação relatório em que constavam contas dele no exterior", disse Dantas.

O banqueiro informou ainda que ficou mais preocupado quando descobriu que seu assessor, Humberto Braz, teria sido seguido pela Abin. Cheguei de viagem e me contaram que Braz teria sido seguido. Houve uma preocupação com a possibilidade de seqüestro ou de assalto. Sabe como é no Rio de Janeiro. Ele registrou uma ocorrência e quando os policiais abordaram o veículo que o estava seguindo, constataram que em seu interior estavam agentes da Abin, disse.

Outro lado

O diretor-geral da Abin, Paulo Lacerda, declarou, por meio da assessoria de imprensa do órgão, que considera "infundadas" as acusações de Dantas. Lacerda protocolou na última terça-feira um pedido para ser convidado ou convocado a depor na CPI das Escutas Clandestinas. Ele já depôs em abril, como convidado.

Na ocasião, Lacerda foi chamado a falar sobre as gravações de conversas telefônicas que a Polícia Federal tem feito, envolvendo suspeitos de crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, contrabando ou tráfico de drogas.

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