Dantas, Braz e Chicaroni temem ser presos

São Paulo - Acusados de corrupção ativa pela tentativa de subornar um delegado da Polícia Federal, o sócio-fundador do banco Opportunity, Daniel Dantas, e Hugo Chicaroni e Humberto Braz temem ser presos. Hoje o juiz da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, Fausto Martin de Sanctis, recebe as alegações finais da defesa no processo. Essa é a última etapa antes que o juiz dê a sentença sobre o caso.

Agência Estado |

O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação dos três réus, cuja pena varia de dois a 12 anos. O delegado da Polícia Federal Ricardo Saadi, responsável pelo inquérito da Operação Satiagraha, também já teria elementos para pedir a prisão de Dantas, Braz e Chicaroni. Se for aceito pela Justiça, será o terceiro pedido de prisão da PF contra os três réus, dessa vez pelos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, fraude financeira e formação de quadrilha.

Na chegada à Justiça Federal, Chicaroni disse aos jornalistas que teme ser preso. "Claro que estou nervoso. Tenho medo de ser preso, afinal, sou um cidadão comum. Nem sei o que estou fazendo aqui", disse. "A única pessoa que conheço em toda essa história é o delegado Protógenes Queiroz, que foi meu amigo por oito anos", acrescentou. Chicaroni afirmou ainda que espera retomar sua vida rapidamente. "Minha mãe morreu por causa disso".

AE
Após sessão, Dantas deixa o Fórum nesta quarta-feira

Dantas não falou com a imprensa, mas seu advogado, Nélio Machado, disse que seu cliente está sendo tratado como uma espécie de "troféu" pela Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Justiça, a quem chamou de "triunvirato acusatório". "Eu não diria temor, mas diria que tenho preocupação fundada diante inclusive da postura que vejo nas declarações do delegado Saadi", declarou. "Pretendem levar adiante essa missão, que não sei quem concebeu ou idealizou, mas é uma espécie de troféu de caça", acrescentou. "É como se pretendessem fazer, na linguagem futebolística, o drible da vaca."

Juiz De Sanctis

Sobre a possibilidade de que Dantas seja condenado pelo juiz De Sanctis, Nélio afirmou: "Já houve uma afronta ao STF. Não tenho nenhuma garantia de que o magistrado não reincida em sua má conduta. Evidentemente que a comunidade jurídica observa que os magistrados de hierarquia superior estão atentos", observou. Se condenado na primeira instância, Dantas vai recorrer da decisão, garantiu Machado.

O advogado argumentou que o pedido para ter acesso ao inquérito que investiga a conduta de Protógenes na Operação Satiagraha, já negado pela Justiça, representa o "cerceamento do direito de defesa". Ele não poupou críticas a De Sanctis. "Confio no Poder Judiciário, evidentemente não confio no doutor De Sanctis, que tem uma relação de 'apaixonamento' com o caso. A justiça se fará, não necessariamente neste primeiro momento. Eu distingo a atuação personalista do magistrado de uma função maior de Estado no regime democrático, que é a realização da Justiça", destacou.

O procurador do MPF Rodrigo de Grandis disse haver provas suficientes para a condenação dos três réus pelo crime de corrupção ativa. "A pena fica a critério do juiz, mas o MPF vê elementos suficientes para pedir uma pena bem acima do mínimo legal, uma pena grave e severa", afirmou. Sobre as novas evidências que poderiam resultar numa nova prisão dos réus, De Grandis afirmou que a investigação está em fase preliminar. "O que posso dizer por hora é que existem elementos que, sim, dizem respeito ao crime de lavagem de dinheiro", finalizou.

(Por Anne Warth)

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