Daniel Dantas teria admitido ter pago 1,5 milhão de propina a policiais, afirma site

SÃO PAULO - Em conversa informal com o delegado Protógenes Queiroz, nesta quinta-feira, o banqueiro Daniel Dantas teria admitido ter pago 1,5 milhão para não ser preso pela Polícia Federal em 2004, à época da operação Chacal. As informações são do Terra Magazine.

Redação |

AE
Daniel Dantas volta à prisão
Daniel Dantas (com óculos) volta à prisão
Eu vou contar tudo! Vou detonar!, teria dito Dantas, que é dono do banco Opportunity. Tudo sobre minhas relações com a política, com os partidos, com os políticos, com os candidatos, com o Congresso...tudo sobre minhas relações com a Justiça, sobre como corrompi juízes, desembargadores, sobre quem foi comprado na imprensa.

Durante a conversa, o delegado teria dito a Dantas que não tentasse continuar jogando seus aliados contra ele, pois a PF já teria pelo menos cinco mandados de prisão preventiva contra o banqueiro.

O delegado teria dito que estaria disposto a fazer um acordo com Dantas, desde que ele não mentisse e contasse a quem pagou propina no Judiciário, no Congresso e na imprensa.

O advogado de Dantas, Nélio Machado, que também estava presente, teria dito a seu cliente que, na prisão, ele estaria mais seguro. Fora você correrá o risco de ser morto!, teria afirmado.

Dantas foi preso nesta semana como parte da Operação Satiagraha da Polícia Federal, que investiga crimes de corrupção, lavagem de dinheiro, evasão de divisas, sonegação fiscal e formação de quadrilha. O banqueiro prestará depoimento nesta sexta-feira, na sede da PF.

Depoimento desta sexta

Ao chegar na sede da Polícia Federal em São Paulo, o advogado Nélio Machado, que faz a defesa de Daniel Dantas, afirmou que vai orientar seu cliente a ficar calado durante depoimento na tarde desta sexta-feira ao delegado Protógenes Queiróz.

"Vou ter uma palavra ligeira com meu cliente e vou aconselhá-lo, sob minha expressa determinação, a se recusar a responder à qualquer indagação", disse o advogado pouco antes de encontrar-se com Dantas, que está preso na carceragem da PF em São Paulo.

"Eu tentei examinar os autos nesta manhã, o que foi evidentemente uma tarefa impossível", afirmou Machado, em referência às mais de seis mil páginas que fazem parte do processo. "A marcação de depoimentos foi uma decisão prematura. No fundo, parece ter uma destinação de viabilizar, como de fato acabou viabilizando, a prisão de Daniel Dantas", disse.

Para o advogado, a prisão do banqueiro, horas depois de ter sido solto por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF), "tem um conteúdo de retaliação, afronta e desrespeito" à Corte. Machado defende que Dantas só preste depoimento ao ter acesso e conhecimento sobre toda a documentação. Ele informou que não teve acesso a nenhum áudio e nem às conversas telefônicas gravadas pela PF.

O advogado disse ainda que os dois pedidos de habeas-corpus, na Justiça de São Paulo e no STF, impetrados pela defesa para que Dantas possa responder ao processo em liberdade, questionam a legalidade na prisão preventiva de seu cliente.

"A situação do STF não é propriamente um novo habeas-corpus, mas um procedimento incidental do habeas-corpus já existente", explicou. O outro, na Justiça Federal de São Paulo, questiona o uso de provas obtidas em um habeas-corpus do Banco Opportunity, cujo uso havia sido vedado por decisão do tribunal de São Paulo e também por manifestação formal do STF, em 2007, por orientação da ministra Ellen Gracie.

Relacionamento com STF

Machado rejeitou as insinuações de que tenha um relacionamento próximo com os ministros do STF, o que poderia ter beneficiado a obtenção de liberdade por Dantas.

"Já perdi a conta de quantas atuações tive no STF. Eu conheço os ministros do Supremo e eles me conhecem, mas isso é um absurdo. O supremo tem tradição de ser um tribunal de vigilância permanente, um tribunal que na realidade é um exemplo que deveria ser seguido por todas as cortes e juízes de nosso País, o que lamentavelmente não ocorre", afirmou.

Ele disse também ser "muito mais fácil falar com um ministro do STF do que com um juiz de primeira instância". O advogado sustentou que Dantas não mandou subornar nenhum delegado para evitar ter seu nome e o de seus familiares incluídos nas investigações. "De jeito algum. Dantas jamais mandou subornar quem quer que seja", defendeu.

Nelio Machado voltou a dizer que o objetivo no momento é restabelecer a liberdade de Dantas. "Neste instante, eu não estou preocupado com a defesa do mérito da eventual acusação, mas sobretudo com o restabelecimento da legalidade com a possibilidade que ele efetivamente possa se defender em liberdade", concluiu.

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