BRASÍLIA - A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou nesta quarta-feira a convocação do banqueiro Daniel Dantas, dono do Banco Opportunity. O depoimento, no entanto, só deve ocorrer em agosto, após o recesso parlamentar, que começa nesta sexta-feira.

O requerimento, apresentado pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), pede que Daniel Dantas esclareça as denúncias de escutas telefônicas clandestinas que teriam sido realizadas pela empresa americana Kroll na fase que antecedeu à mudança de controle acionário da Brasil Telecom. A suspeita é a de que a Kroll teria sido contratada por Dantas para espionar autoridades e empresários brasileiros. Um dos interceptados teria sido o ex-ministro Luiz Gushiken (Secretaria de Comunicação).

Além do depoimento de Dantas, a CPI aprovou a convocação do juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal Criminal de São Paulo, que decretou a prisão do banqueiro e dos demais acusados de crimes financeiros investigados pela Operação Satiagraha, da Polícia Federal. Também prestará depoimento o delegado da PF Protógenes Queiroz, que conduziu as investigações sobre o caso até terça-feira (15), quando pediu afastamento do inquérito. A CPI vai ouvir ainda o delegado da PF Romero Menezes, responsável pela Operação Chacal, que realizou diligências nos escritórios da Kroll.

Durante a sessão de hoje da CPI, o deputado Gustavo Fruet apresentou outro requerimento para a convocação de um dos cinco diretores da empresa Kroll. O deputado explicou que muitas dúvidas restaram a ser esclarecidas, a partir do depoimento do presidente da empresa americana no Brasil, Eduardo Gomide. Gomide prestou esclarecimentos à CPI em 8 de julho, mesmo dia em que Dantas foi preso.

Além das convocações também foi aprovado o pedido para que a Polícia Federal envie à CPI os documentos apreendidos nos escritórios da Kroll durante a Operação Chacal. A CPI também vai requisitar à empresa os relatórios produzidos em relação à Brasil Telecom.

Já os requerimentos que pediam a convocação do ex-ministro Gushiken, do ex-deputado Luiz Eduardo Greenhalgh e do investidor Naji Nahas não chegaram a ser votados hoje. O deputado Gustavo Fruet, autor dos requerimentos, não descartou a possibilidade de reapresentar os pedidos no segundo semestre.

Quanto a Greenhalgh e Gushiken, o relator da CPI, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse que não vê a necessidade de ouví-los. Os motivos apresentados até agora não me dão a certeza da necessidade de convocação de ambos, destacou o relator, após a reunião.

Na reunião de hoje, alguns deputados ofereceram resistência à convocação do delegado Protógenes Queirós. Um deles foi o vice-líder do governo, deputado  Carlos William (PMDB-MG), que tentou prolongar a discussão do requerimento apresentado pelo presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ).

Outro deputado, Wilson Santiago (PMDB-PB), chegou a sugerir que o delegado que conduziu as investigações contra Daniel Dantas fosse convocado na condição de investigado, alegando que as escutas telefônicas autorizadas pela Justiça duraram cerca de dois anos. A proposta do deputado não foi aceita pelo plenário da CPI.

A CPI também aprovou um requerimento - que nada tem a ver com o caso Kroll/Dantas - para a convocação da juiza da Vara Federal de Ribeirão Preto, interior de São Paulo, que teria autorizado a interceptação telefônica do delegado da Polícia Federal Wilson Alfredo Perpétuo. As suspeitas, de acordo com os deputados da CPI, são de que as escutas teriam ocorrido durante dois anos e três meses. O delegado é suspeito de ter cometido crime de tráfico de influência.

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