Daniel Dantas está na sede da Polícia Federal para prestar depoimento

SÃO PAULO - Atrasado em uma hora, o banqueiro Daniel Dantas chegou, por volta das 15h desta quarta-feira, à Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, onde deve prestar depoimento pela segunda vez. O depoimento do banqueiro estava marcado para as 14h. Acompanhado do advogado Nélio Machado, Dantas entrou na sede da Polícia Federal pela porta da frente, mas não falou com os jornalistas. A CPI das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou nesta quarta a convocação de Dantas. O depoimento, no entanto, só deve ocorrer em agosto, após o recesso parlamentar, que começa nesta sexta-feira.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |


AE/José Luis da Conceição
Dantas chega à sede da PF, em São Paulo
Em entrevista ao Valor Online, um dos advogados de Dantas, que preferiu  não se identificar, teria revelado que o banqueiro deverá permanecer calado durante o depoimento, assim como fez na última sexta-feira (11).

A defesa alega não ter recebido cópias de documentos apreendidos na casa do banqueiro, que, segundo a PF, comprovariam que Dantas tentou subornar um delegado para ter seu nome retirado das investigações da Operação Satiagraha.

CPI dos Grampos

Nesta quarta-feira, a CPI das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou a convocação do banqueiro Daniel Dantas . O depoimento ainda não foi agendado e só deve ocorrer após o recesso parlamentar que começa no fim desta semana e vai até agosto.

Preso duas vezes na semana passada, Dantas foi libertado por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A PF acusa o banqueiro de ter cometido os crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, suspeita de espionagem e tentativa de corrupção.

Segundo o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), autor do requerimento de convocação, a comissão quer confirmar se existem indícios ou práticas de grampos criminosos por parte do grupo de Daniel Dantas.

O banqueiro é suspeito de encomendar o monitoramento de telefonemas de ex-integrantes do governo, como o ex-ministro Luiz Gushiken, por meio da empresa Kroll.

A CPI quer ainda que ele esclareça a acusação de crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e evasão de divisas, além de pagamento de suborno a policiais.

A CPI aprovou também a convocação do delegado da PF Protógenes Queiroz, que comandou as investigações e foi afastado do caso, e do juiz Fausto de Sanctis, autor dos pedidos de prisão do banqueiro.

De acordo com Itagiba, o foco dos questionamentos a serem feitos ao juiz e ao delegado será a suspeita de realização de interceptação telefônica ilegal pelos acusados. Queremos saber se os suspeitos cometeram o crime de interceptação ilegal, disse o deputado Marcelo Itagiba.

O relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse ainda querer saber do delegado o motivo de as escutas telefônicas da operação terem durado dois anos. Precisamos saber como estas informações foram manuseadas durante este período, disse.

Pellegrino disse que a vinda do delegado Protógenes à CPI será uma boa oportunidade para ele explicar os reais motivos de sua saída.

A base do governo impediu que fossem aprovados requerimentos de convocação do investidor Naji Najas e do ex-deputado do PT Luiz Eduardo Greenhalgh.


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