Daniel Dantas deixa a sede da Polícia Federal em São Paulo

SÃO PAULO - Daniel Dantas deixou a sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo por volta das 18h25 desta quarta-feira, após mais de 3 horas de depoimento. Dantas não deu declarações ao deixar a sede da PF.

Luciana Fracchetta, do Último Segundo |


AE
Dantas deixa a sede da Polícia Federal
Segundo o advogado Nélio Machado, que faz a defesa de Daniel Dantas, o banqueiro foi orientado a ficar calado durante o depoimento e não respondeu nenhuma das perguntas feitas pelo juiz Protógenes Queiroz, que comanda as investigações até esta sexta-feira. O delegado pediu afastamento do cargo a partir de segunda-feira para fazer um curso, segundo a assessoria da PF.

Machado afirmou ainda que Dantas não foi indiciado e que o depoimento deve continuar na sexta-feira. "Ele chegou como réu e saiu como réu. Não foi indiciado". O advogado disse que orientou o banqueiro a ficar calado porque ainda não conseguiu analisar o processo de investigação. 

Atrasado em uma hora, Dantas chegou por volta das 15h à sede da PF. Acompanhado de seu advogado, Dantas entrou pela porta da frente, mas não falou com os jornalistas. Nesta quarta, a CPI das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou a convocação de Dantas. O depoimento, no entanto, só deve ocorrer em agosto, após o recesso parlamentar, que começa nesta sexta-feira.

CPI dos Grampos

Nesta quarta-feira, a CPI das Escutas Telefônicas da Câmara aprovou a convocação do banqueiro Daniel Dantas. O depoimento ainda não foi agendado e só deve ocorrer após o recesso parlamentar que começa no fim desta semana e vai até agosto.

Preso duas vezes na semana passada, Dantas foi libertado por decisão do presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes. A PF acusa o banqueiro de ter cometido os crimes de formação de quadrilha, gestão fraudulenta, evasão de divisas, lavagem de dinheiro, sonegação fiscal, suspeita de espionagem e tentativa de corrupção.

Segundo o presidente da CPI, Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), autor do requerimento de convocação, a comissão quer confirmar se existem indícios ou práticas de grampos criminosos por parte do grupo de Daniel Dantas.

O banqueiro é suspeito de encomendar o monitoramento de telefonemas de ex-integrantes do governo, como o ex-ministro Luiz Gushiken, por meio da empresa Kroll.

A CPI quer ainda que ele esclareça a acusação de crimes de lavagem de dinheiro, formação de quadrilha, gestão fraudulenta e evasão de divisas, além de pagamento de suborno a policiais.

A CPI aprovou também a convocação do delegado da PF Protógenes Queiroz, que comandou as investigações e foi afastado do caso, e do juiz Fausto de Sanctis, autor dos pedidos de prisão do banqueiro.

De acordo com Itagiba, o foco dos questionamentos a serem feitos ao juiz e ao delegado será a suspeita de realização de interceptação telefônica ilegal pelos acusados. Queremos saber se os suspeitos cometeram o crime de interceptação ilegal, disse o deputado Marcelo Itagiba.

O relator da comissão, deputado Nelson Pellegrino (PT-BA), disse ainda querer saber do delegado o motivo de as escutas telefônicas da operação terem durado dois anos. Precisamos saber como estas informações foram manuseadas durante este período, disse.

Pellegrino disse que a vinda do delegado Protógenes à CPI será uma boa oportunidade para ele explicar os reais motivos de sua saída.

A base do governo impediu que fossem aprovados requerimentos de convocação do investidor Naji Najas e do ex-deputado do PT Luiz Eduardo

Leia também:

Leia mais sobre: Operação Satiagraha

    Leia tudo sobre: operação satiagraha

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG