SÃO PAULO - O banqueiro Daniel Dantas chegou por volta das 14h20 desta sexta-feira à sede da Polícia Federal em São Paulo para prestar novo depoimento à Justiça. Esta será a terceira vez que Dantas depõe.

As principais suspeitas contra Dantas estão relacionadas à manutenção e gestão do Opportunity Fund, nas Ilhas Cayman, e da falta de comunicação aos órgãos públicos e de controle interno de movimentações financeiras atípicas nas contas de correntistas do banco.

Nesta sexta-feira, o delegado Protógenes Queiroz, responsável pelas investigações que deram origem à Operação Satiagraha, deve se afastar do caso. Segundo a PF, na próxima segunda-feira, ele começa um Curso Superior de Polícia, voltado para o aperfeiçoamento e a atualização dos profissionais.

Com isso, o relatório do delegado deve ser finalizado e entregue até o final do dia. No documento, será possível saber se Dantas será indiciado. Além do banqueiro, sua irmã, Verônica, e sua mulher, Maria Alice, também podem ser indiciados hoje os funcionários ou sócios do grupo Opportunity: Carlos Rodenburg, Arthur Joaquim de Carvalho, Danielle Ninnio, Dorio Ferman, Norberto Aguiar, Eduardo Penido, Maria Amália Coutrim, Rodrigo de Andrade, Itamar Benigno Filho e Paulo Moysés.

O indiciamento é o ato final do trabalho do policial. Depois que o relatório é finalizado, ele é analisado pelo Ministério Público Federal, que decide se apresenta ou não denúncia à Justiça Federal.

Procurado pela reportagem, o advogado de Daniel Dantas, Nélio Machado, não quis comentar sobre o depoimento do cliente.

Confusão no afastamento do caso

AE
Protógenes Queiroz comandou investigações
Em uma reunião no dia 14 de julho, o delegado Queiroz teria exposto sua situação com o curso e dito que poderia cuidar dos inquéritos policiais aos sábados e domingos, idéia que não teria sido acatada pelos outros diretores pois a tal procedimento quebraria, entre outras, a regra de dedicação exclusiva exigida de todos os participantes na fase presencial.

Na quinta-feira, a Polícia Federal divulgou gravações da reunião entre o delegado Protógenes Queiroz e seus superiores, na qual teria se decidido pelo afastamento do delegado do caso.

Porém, os áudios, alguns editados e com trechos inaudíveis, não esclarecem se houve pressão da cúpula da PF ou se Protógenes deixou clara sua opção pessoal para desistir do caso. (Leia a transcrição e ouça os áudios aqui )

Conforme a Polícia Federal, ao final do curso Protégenes Queiroz pode reassumir o comando das investigações.

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