Por Isabel Versiani BRASÍLIA (Reuters) - A taxa média de juros cobrada pelo bancos voltou a cair em novembro após um mês de alta, e atingiu o menor patamar em 23 meses, liderada pela redução do custo dos financiamentos para as pessoas físicas, que chegou ao menor nível em pelo menos 15 anos.

Os dados foram divulgados nesta terça-feira pelo Banco Central.

A taxa média dos juros ficou em 34,9 por cento no mês passado, queda de 0,7 ponto frente a outubro. Para as pessoas físicas, a taxa média foi de 43 por cento --mais baixa da série, iniciada em 1994-- e para as empresas, de 26 por cento.

"Ainda se esperam mais movimentos de queda ao longo dos primeiros meses de 2010 por força da redução do spread", afirmou a jornalistas o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Ele acrescentou que o spread --que mede a diferença entre o custo de captação dos bancos e as taxas cobradas dos clientes finais-- continuará a ser beneficiado por novas retrações da inadimplência ao longo dos próximos meses, a despeito das apostas do mercado em alta da taxa Selic no próximo ano.

Em novembro, a inadimplência média permaneceu estável pelo segundo mês consecutivo, em 5,8 por cento. A inadimplência das pessoas jurídicas retraiu-se ligeiramente em 0,1 ponto, para 3,9 por cento, a primeira queda para o setor desde setembro de 2008.

O spread bancário caiu 0,9 ponto em novembro, para 25,1 pontos percentuais, menor nível desde junho do ano passado.

VOLUME DE CRÉDITO EM ALTA

As novas concessões de crédito cresceram 5,1 por cento frente em novembro frente a outubro, para 7,726 bilhões de reais. No mesmo período, o estoque total das operações de financiamento no país cresceu 1,5 por cento, a 1,389 trilhão de reais, o equivalente a 44,9 por cento do Produto Interno Bruto

(PIB).

Em outubro, essa relação era de 44,6 por cento e, há um ano, estava em 38,9 por cento.

Em 12 meses até novembro, o estoque de crédito cresceu 14,9 por cento. O BC prevê que a alta acumulada em 2009 será de 16 por cento, e, em 2010, de 20 por cento.

"A base de comparação para 2010 será mais alta, por isso não devemos ver níveis de crescimento do crédito de 40 por cento vistos no passado, a despeito da recuperação econômica", afirmou Lopes.

O BC projeta uma recuperação da participação do crédito dos bancos privados no próximo ano, após a retração vista em 2009, quando instituições como o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social e a Caixa Econômica Federal garantiram a expansão dos financiamentos em meio à crise econômica.

A estimativa é que o crédito oferecido pelos bancos públicos cresça 17,1 por cento em 2010, frente a uma alta de 20,4 por cento dos bancos privados nacionais e de 24,5 por cento dos bancos privados estrangeiros.

(Edição de Vanessa Stelzer)

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.