A cúpula do PMDB ainda espera uma retratação pública do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao mesmo tempo em que procura evitar colocá-lo contra a parede. Os peemedebistas que defendem a aliança eleitoral com o PT em torno da possível candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, à Presidência da República, esperavam que Lula conversasse com o deputado Michel Temer (PMDB-SP), como uma espécie de desmentido, o que não ocorreu.

Temer, presidente licenciado do PMDB, é o principal cotado para a vaga de vice na chapa de Dilma e um dos principais articuladores da aliança com o PT.

O motivo da crise foi a declaração de Lula, na quinta-feira passada, em defesa da indicação, pelo PMDB, de uma lista tríplice com nomes para o cargo de vice para a escolha posterior de Dilma Rousseff. A resposta do PMDB na sexta-feira foi dura. O partido disse que cabe apenas a ele indicar o único nome para a chapa. O episódio provocou o cancelamento da reunião do grupo de trabalho eleitoral formado pelo PT e pelo PMDB, marcada para amanhã.

"Esse desconforto não vai acabar enquanto não tiver um esclarecimento público", afirmou o deputado Eduardo Cunha (PMDB-RJ). O líder do PMDB na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN), autor da nota mais dura em reação à declaração de Lula, afirmou que o PT tem feito um grande esforço para dirimir o mal-estar. "Houve o reconhecimento de que não foi a melhor colocação (de Lula). Eles (petistas) deixaram isso claro", disse o líder peemedebista. Ele lembrou que Dilma Rousseff, o ministro de Relações Institucionais, Alexandre Padilha, o ministro de Comunicação Social, Franklin Martins, além de dirigentes petistas, telefonaram para Temer na tentativa de darem explicações.

"Esse fato deverá ser esclarecido em algum momento pelo presidente Lula para que os adversários da aliança não explorem esse fato. Não se trata de por em questão a relação de confiança do PMDB com o presidente. Em algum momento haverá uma explicação do presidente, até porque não há outro horizonte. Não dá para ser outro nome", afirmou Henrique Alves, referindo-se à indicação de Temer para a chapa com Dilma.

Ricardo Berzoini, presidente do PT, disse que o partido assinou um protocolo de entendimento com o PMDB e manterá a palavra. E completou: "a declaração de Lula foi isolada, não tem significado o que ele falou", disse. "O nome de Temer é um bom nome para ser vice de Dilma", afirmou.

O líder do PT na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (SP), disse concordar com a nota do PMDB que se afirmou como partido parceiro na aliança. "O PT e o PMDB vão se entender. E o meu candidato para vice é Temer. Para mim é assunto encerrado", disse Vaccarezza.

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