Cúpula da polícia sabia das fraudes nas habilitações desde fevereiro

SÃO PAULO - A cúpula da Polícia Civil de São Paulo sabia desde fevereiro que um esquema de fraude em carteiras nacionais de habilitação (CNHs) existia dentro das Circunscrições Regionais de Trânsito (Ciretrans) do Estado. O alerta foi dado pela Companhia de Processamento de Dados do Estado de São Paulo (Prodesp), que identificou irregularidades na coleta das impressões digitais dos candidatos.

Redação com Agência Estado |

A direção do Departamento Estadual de Trânsito (Detran) diz ter tomado providências na época, mas só na semana passada, quase quatro meses depois, é que a quadrilha formada por policiais, médicos e donos de auto-escolas foi desarticulada pela Operação Carta Branca.

A força-tarefa que levou 20 pessoas para a cadeia é formada apenas pela Polícia Rodoviária Federal (PRF) e pelo Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaerco) do Ministério Público Estadual. A Corregedoria da Polícia Civil só foi avisada sobre o caso na véspera da operação. A Secretaria da Segurança Pública não informou se houve punições ou afastamentos de policiais desde que tomou conhecimento das irregularidades.

A documentação que comprova o total conhecimento do esquema por parte dos dirigentes da polícia foi apreendida na Ciretran de Ferraz de Vasconcelos. Em ofício datado de 27 de fevereiro, o diretor do Detran, Ruy Estanislau Mello, pedia ao delegado-geral, Maurício José Lemos Freire, que encaminhe a relação de Ciretrans e auto-escolas sob suspeita ao Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), responsável por administrar as unidades policiais da região metropolitana de São Paulo. Quatro dias depois, a Delegacia-Geral da Polícia Civil expediu ofício determinando a instauração de inquérito policial para apurar a denúncia.

Em 11 de março, o então delegado divisionário do Demacro Antonio Carlos Bueno Torres também solicitou que cópias do levantamento da Prodesp fossem encaminhadas às nove delegacias seccionais com jurisdição sobre as Ciretrans citadas no relatório e deu prazo de 15 dias para que fossem tomadas providências.

Os papéis apreendidos indicam ainda que, em 2 de abril, a listagem chegou às mãos do delegado Fernando José Gomes, então titular da delegacia de Ferraz de Vasconcelos. Preso na sexta-feira acusado de envolvimento com a máfia das carteiras, ele é apontado como um dos chefes da organização criminosa. As duas únicas providências tomadas por ele foram: requisitar os nomes dos diretores e os endereços das auto-escolas relacionadas pela Prodesp e pedir à Justiça mais prazo para a realização de diligências. As informações são do jornal "O Estado de S. Paulo"

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