Cultura só repassará verbas a municípios com bibliotecas

Ministério quer garantir que prefeitos invistam na manutenção das bibliotecas

Agência Brasil |

O ministro da Cultura, Juca Ferreira, afirmou nesta que somente municípios que mantenham bibliotecas públicas terão direito de receber verbas do ministério. A medida será detalhada por meio de portaria ministerial a ser editada ainda este ano e objetiva garantir que os prefeitos invistam na manutenção das bibliotecas.

“O Brasil já zerou o número de municípios sem bibliotecas, mas elas acabam fechadas, porque os prefeitos não acham relevante pagar duas bibliotecárias e três funcionários”, disse o ministro. Por isso, segundo ele, o governo vai elaborar uma portaria que exigirá que os municípios tenham um biblioteca pública, caso contrário não terão direito a recursos federais.

“Já zeramos o déficit de bibliotecas por duas vezes, mas quando pesquisamos vimos que há mais de 100 municípios que fecharam os espaços”, destacou o ministro, durante a solenidade de comemoração dos 200 anos da Biblioteca Nacional no Rio.

O presidente da Fundação Biblioteca Nacional, Muniz Sodré, afirmou que só nos últimos quatro anos foram implantadas 1.856 bibliotecas em municípios brasileiros, cada uma com 2 mil livros, além de computador e programa específico.

Muniz comemorou o repasse de R$ 31,7 milhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para investimentos no centenário prédio da biblioteca – construído no centro do Rio 100 anos depois de sua fundação -, incluindo elevadores, cobertura e loja temática.

Também será reformado um imóvel na região portuária, onde funcionará a hemeroteca, setor dedicado ao arquivamento e consulta de jornais, documentos e revistas. No local, que abrigará 3,5 milhões de documentos, haverá uma biblioteca popular para os moradores dos bairros da Saúde e da Gamboa.

A Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério da Ciência e Tecnologia, fez um aporte de outros R$ 6 milhões para aumentar a capacidade de digitalização de documentos da Biblioteca Nacional, permitindo o acesso remoto às informações em qualquer parte do país e do mundo a estudantes e pesquisadores.

“A grande questão é a democratização da cultura. A biblioteca tem se aberto por meio da digitalização, que gera mais de um milhão de acessos por mês, enquanto que o número de visitantes mensais ao prédio é de 15 mil. A ideia é tornar isso aqui num centro de atração no Rio de Janeiro, não só com livros, mas também com vídeos, computadores e imagens”, afirmou Muniz.

A Biblioteca Nacional foi criada com a vinda da família real, em 1808, a partir de um acervo de 60 mil peças. Funcionou incialmente em uma sala do Hospital do Convento da Ordem Terceira do Carmo, na atual Rua Primeiro de Março. Em 29 de outubro de 1810, um decreto do Príncipe Regente determinou que o local acomodasse a Real Biblioteca, aberta ao público em 1814.

Exatamente 100 anos depois, em 29 de outubro de 1910, foi inaugurado o atual prédio da Biblioteca Nacional, que hoje possui um acervo de nove milhões de obras, sendo considerada a oitava instituição no mundo em número de documentos.

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