A palavra mulher carrega, atualmente, uma lista de definições: mãe, amante, profissional e amiga são só alguns dos possíveis sinônimos. E o aumento da expectativa de vida do brasileiro, que segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) saltou de 62 anos para 75 na última década, trouxe outra informação para um verbete cheio de informações.

Agora, também faz parte das funções femininas ser cuidadora dos idosos da família.

Um termômetro que mostra o quanto tomar conta dos pais idosos e avôs é um posto majoritariamente feminino está no Hospital Estadual Pirajuçara, zona oeste da capital paulista. Lá, um curso é ministrado justamente para quem convive em casa com a terceira idade adoecida. Nas turmas, por onde já passaram mais de 100 pessoas desde junho de 2007, 60% eram mulheres. Os poucos homens eram acompanhados das mulheres ou filhas.

Mesmo quem é adepto da dupla jornada nem sempre convive de forma harmoniosa com a responsabilidade de cuidar dos idosos. "É muito doloroso. O receio de não conseguir cuidar de um familiar doente é misturado com a frustração de abdicar outras áreas da vida por causa desta função", avalia a coordenadora e fisiatra do grupo do Pirajuçara, Yumi Kamiko.

Ela e outros nove profissionais, de diversas especialidades, lidam com a angústia das cuidadoras e, uma vez por semana, o grupo se reúne para trocar experiência. "O primeiro passo é transformar a sensação da obrigatoriedade de cuidar por um ato de carinho. Isso alivia, ameniza a dor", completa Yumi.

Atenção especial

O médico Rubens Gagliardi, da Academia Brasileira de Neurologia, lembra que a presença cada vez maior de idosos no País aumenta as doenças relacionadas ao envelhecimento. "As seqüelas dos problemas de saúde exigem uma atenção especial". Entre os motivos que mais promovem a inversão de papéis - filhos cuidando de pais - ele cita o acidente vascular cerebral (AVC), conhecido como derrame.

A saúde de quem cuida dos doente já fez os pesquisadores se debruçarem sobre o tema. Às vezes, medidas simples evitam estresse, como lembra o professor de geriatria da Universidade de São Paulo (USP), Wilson Jacob Filho. "Assim como fazemos com as crianças, é importante adaptarmos a casa para os mais velhos. Um tombo na escada pode fazer com que nunca mais se recuperem."

Fernanda Aranda

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.