CTNBio aprova plantio de algodão transgênico da Dow

SÃO PAULO (Reuters) - A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou nesta quinta-feira o plantio comercial do algodão transgênico WideStrike, com tecnologia resistente a insetos, da Dow AgroSciences Industrial, divisão da Dow Chemical. A variedade foi aprovada por 15 votos dos integrantes da CTNBio, recebendo ainda cinco contrários.

Reuters |

Essa foi a primeira aprovação de transgênico do ano.

"O WideStrike contribui para uma agricultura com práticas mais sustentáveis porque controla a maioria das pragas danosas ao algodão", afirmou o diretor de Sementes e Biotecnologia da Dow no Brasil, Rolando Alegria, em um comunicado.

Com o transgênico, o produtor pode reduzir o número de aplicação de inseticidas nas lavouras.

Antes de estar disponível, a tecnologia passou por rigorosos testes em várias regiões do país e por análises de laboratório, ressaltou a Dow AgroSciences, lembrando que o produto já é cultivado desde 2004 nos Estados Unidos, onde o óleo e o farelo produzidos a partir das sementes foram aprovados para uso na alimentação humana e animal.

O WideStrike, que controla pragas do algodoeiro como a lagarta-do-cartucho, a lagarta-da-maçã e o curuquerê, também está aprovado para alimentação humana e animal no Canadá e no Japão e para alimentação humana no México, Coréia do Sul e Austrália, segundo a empresa.

O Brasil já conta com autorização para o plantio de algodão transgênico com tecnologias patenteadas por outras empresas (Bayer e Monsanto), além de diversas sementes de milho geneticamente modificado e uma de soja.

O algodão WideStrike, por sua vez, usa a tecnologia Bt, também presente no algodão Bollgard, da Monsanto, também aprovado no Brasil.

"Isso é interessante. Com os mesmos produtos de diferentes empresas, o agricultor pode escolher o que quer plantar. Isso faz que haja uma competição para vendas de sementes positiva para o agricultor. Ele pode ter um preço diferenciado", afirmou a especialista Alda Lerayer, diretora-executiva do CIB (Conselho de Informações sobre Biotecnologia).

Alda lembrou que o produtor já tem a sua disposição tecnologias semelhantes para o milho transgênico de diferentes empresas, o que também é positivo.

Na última sessão em que foi autorizada uma liberação comercial, em dezembro do ano passado, também um produto da Dow, desenvolvido em parceria com DuPont (o milho transgênico Herculex) recebeu autorização para plantio comercial. .

Muitas variedades aprovadas ainda estão em processo de multiplicação de sementes. Os produtos com plantio mais desenvolvido são a soja Roundup Ready (RR) e o algodão Bollgard, ambos da Monsanto.

A atual safra também foi marcada pelo início do plantio comercial do milho transgênico.

(Reportagem de Roberto Samora; edição de Marcelo Teixeira)

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