CSN estuda investir em frota própria para atender China

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) informou hoje que pretende investir em uma frota própria para atender a demanda de minério de ferro da China. Segundo o diretor executivo de mineração da CSN, Juarez Saliba, a empresa ainda está estruturando seu plano de investimentos nesta área, e poderá apresentá-lo ao mercado ainda no segundo semestre.

Agência Estado |

O executivo disse que o plano pode incluir contratos de longo prazo de frete e também a compra de ativos na área de transportes marítimos, mas ainda não há um definição.

A iniciativa já foi tomada pela mineradora Vale, que também está reforçando o transporte próprio para a China para arcar com os custos de entrega. O executivo informou que esta estratégia não é necessária em mercados como Europa, Japão e Coreia, onde os clientes já contam com contratos de entrega de longo prazo. Segundo Saliba, a CSN pensou em investir nesta área ainda no primeiro semestre, mas optou por aguardar porque os preços estavam muito elevados.

Vendas

A CSN pretende vender de 4 milhões a 4,1 milhões de toneladas de aço neste ano, o que representa um recuo de 18% em comparação com 2008, quando foram vendidas 4,89 milhões de toneladas. Segundo Luiz Fernando Martinez, diretor comercial da CSN, o ritmo de vendas do segundo semestre de 2009 já é de 5 milhões de toneladas ao ano. Para o segundo semestre, a empresa espera vendas de 2,5 milhões de toneladas, igualmente divididas entre o terceiro e o quarto trimestres. O objetivo da companhia é destinar 85% deste volume para o mercado interno. "Este é o grande desafio deste ano", disse Martinez.

No segundo trimestre, as vendas de aço da empresa cresceram 47% em comparação com o primeiro trimestre e somaram 947 mil toneladas. Segundo o executivo, parte desta retomada veio do aumento da demanda e do aumento de participação de mercado da CSN no segmento de construção civil (de 30% para 45%). No mercado de aços planos como um todo, sua participação cresceu três pontos porcentuais em comparação com o primeiro trimestre, para 40%. Na comparação com o segundo trimestre do ano passado, houve um recuo de 29% nas vendas.

Martinez destacou que a participação da empresa em diferentes mercados, como galvanizados e folhas metálicas para embalagens, ajudaram a sustentar os negócios durante a crise. "Nas folhas metálicas mantivemos o preço estável", disse, lembrando que a CSN tem clientes como Unilever e Nestlé.

Preço

O preço do aço no mercado brasileiro deve ficar estável no segundo semestre, mas tem viés de alta, segundo Martinez. No segundo trimestre do ano, o preço praticado pela companhia caiu 14% e chegou aos atuais US$ 870 a US$ 940 por tonelada na bobina a quente. Segundo o executivo, existem sinais de retomada na demanda interna, mas a CSN está cautelosa com a concorrência do aço importado.

"É preciso ter certeza absoluta de que os fundamentos estão robustos. Caso contrário, vamos jogar água fria na sopa e ficaria difícil conter as importações", afirmou. As importações em 2008 somaram 1,2 milhão de toneladas. A companhia também está preocupada em não perder participação de mercado para seus concorrentes internos. Ele lembrou que a CSN operou com 60% da sua capacidade produtiva no primeiro semestre e que as importações ainda não caíram. Segundo Martinez, a empresa pretende analisar aumentos de preço caso a caso com cada cliente.

Em relação a relatórios de bancos publicados nesta semana apontando alta dos preços no segundo semestre, o executivo disse que a CSN não tem nenhuma definição neste sentido. Atualmente, o prêmio do produto brasileiro em relação ao importado está caindo devido à alta dos preços internacionais, o que dá espaço para aumentos no preço interno. De acordo com o executivo, o prêmio hoje varia entre 20% e 26%.

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