CSN amplia linha de produtos de aço voltados à construção civil

Por Alberto Alerigi Jr. SÃO PAULO (Reuters) - Depois de entrar no mercado de cimento, a CSN quer chegar em 2010 com uma linha completa de produtos de aço para o setor de construção civil, tentando se beneficiar da demanda esperada com iniciativas públicas na área de habitação e de infraestrutura.

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Entre o final de 2009 e o começo do próximo ano, a CSN pretende lançar dois produtos baseados em aço plano voltados ao setor imobiliário, no esforço de roubar espaço de itens mais tradicionais usados por construtoras como fibrocimento, concreto e alumínio, disse à Reuters o diretor comercial da siderúrgica, Luis Fernando Martinez.

"O grande objetivo da CSN é aumentar o tamanho do bolo do mercado de aço ao entrarmos em outros segmentos."

A busca pela ampliação da base de receita acontece também em um momento de queda geral na demanda por aço no Brasil e no mundo, devido à crise econômica global. Martinez vê sinais de melhora no mercado siderúrgico, mas evitou comentar sobre o desempenho do grupo em produção e vendas no atual trimestre.

Segundo o executivo, a empresa está desenvolvendo coberturas para telhados de aço (já montou com Cyrela e Rossi Residencial seis protótipos), conjuntos estruturais de aço para moradias e vergalhões. O último inicia operação em 2010, marcando a chegada da CSN em seara dominada por Gerdau e ArcelorMittal no país.

Ainda dentro da estratégia de diversificação, a CSN vem sendo bem-sucedida com o "steelcolors", placas finas de aço pintado direcionado a revestimentos de fachadas, lançado no ano passado e cujo custo de projetos que o utilizam é 20 a 25 por cento inferior às chapas pintadas de alumínio, disse Martinez.

O "steelcolors" está "muito perto de ocupar" a metade da produção de aços pré-pintados voltados para construção civil da linha da CSN no Paraná. Essa unidade está com produção de 100 mil toneladas por ano, sendo 60 mil para construção civil.

No mercado interno, a maior presença da CSN, sem considerar os 99 por cento de participação em embalagens que usam aço, ainda está em linha branca e equipamentos, com 41 por cento. Em construção civil, a empresa tem fatia de mercado de 30 por cento para os segmentos em que atua, segundo informações da companhia.

QUANTO MAIS CEDO, MELHOR

Em março, o governo lançou o programa "Minha Casa, Minha Vida", com recursos de cerca de 30 bilhões de reais para financiar 1 milhão de moradias para a baixa renda.

"O Brasil ainda tem um déficit habitacional muito grande e, ao mesmo tempo, uma capacidade muito alta de empréstimos com o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Se você estiver nesse mercado cedo, vai capturar mais rapidamente as oportunidades", disse Martinez.

A visão do executivo é compartilhada pelo analista de siderurgia Pedro Galdi, da corretora SLW. "Em um momento como esse, de crise, o importante é lançar produto e tomar espaço de concorrentes", afirmou. "Mas isso não será um diferencial de faturamento forte em um cenário de crise aguda do setor siderúrgico", ponderou o analista.

No primeiro trimestre, a produção de aço da CSN caiu 12 por cento ante igual intervalo de 2008. As vendas de produtos siderúrgicos recuaram 54 por cento na mesma base de comparação.

Ainda assim, as ações da CSN --que também atua na área de mineração, logística e energia-- registram valorização de 60 por cento no ano até 27 de maio, enquanto o Ibovespa acumula alta de 38 por cento.

O avanço dos papéis da CSN está acima do desempenho de rivais como Gerdau, com ganho de quase 30 por cento, e Usiminas, com alta de 38 por cento,

A CSN investiu 560 milhões de reais na fábrica de cimento em Volta Redonda, no Rio de Janeiro. O produto começou a ser vendido há duas semanas e a estimativa é comercializar 400 mil toneladas neste ano, chegando a 2,3 milhões de toneladas a partir de 2011. A operação usa a escória da própria usina de aço da siderúrgica.

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