O cineasta canadense David Cronenberg recusou todas as ofertas de Hollywood para fazer uma nova versão de seu filme A Mosca (1986), um clássico do terror que ele preferiu ressuscitar como ópera sob a concepção do compositor, Howard Shore, e a condução de Plácido Domingo.

Esta incursão, que levou o diretor de "Senhores do Crime" (2007) a se reencontrar com seu filme-símbolo e a ter sua primeira experiência musical aos 65 anos, o reuniu com os principais colaboradores de sua carreira cinematográfica.

Howard Shore, responsável pela maioria das trilhas sonoras da obra de Cronenberg, assim como dos filmes de Martin Scorsese, concebeu as partituras da ópera que teve sua estréia em julho passado em Paris e que no próximo domingo, 7 de setembro, vai estrear na Ópera de Los Angeles, onde ficará em cartaz até o dia 27 do mesmo mês.

"Eu não queria fazer um 'remake' do filme. Não queria reescrever o roteiro de novo. Esta produção tem um poder e um carisma próprio", enfatizou Cronenberg, que preveniu a crítica a não cair nas comparações do filme com a ópera, porque não é a mesma coisa.

Graças à nova idéia do cineasta, o palco da sala Dorothy Chandler Pavilion, sede da Ópera de Los Angeles dirigida por Plácido Domingo, se transformará em um cenário de ficção científica dos anos 50.

"Adoro ópera (...) A música sempre esteve em minha vida porque minha mãe era pianista, mas tenho que admitir que não sou obsessivo pela ópera", disse o cineasta, que voltou a recorrer à irmã Denise Cronenberg para o figurino e ao maquiador Stephan L. Dupuis, que venceu o Oscar de Efeitos Visuais por "A Mosca".

Plácido Domingo confessou que teve dúvidas sobre a possibilidade de montar "A Mosca" como ópera.

O papel de protagonista, que no cinema foi de Jeff Goldblum como o cientista Seth Brundle, caberá ao ator e cantor canadense Daniel Okulitch, enquanto a mezzo-soprano Ruxandra Donose será Veronica Quaife, a jornalista que descobre a tragédia, personagem da atriz Geena Davis na telona.

pb/lm

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