Crítico musical José Ramos Tinhorão ganha biografia

Em 1961, o repórter José Ramos Tinhorão recebeu uma incumbência do seu chefe no Diário Carioca: Faça uma série sobre música popular brasileira. O jornal tinha publicado uma trabalho sobre jazz, e queria se voltar aos nossos artistas.

Agência Estado |

O jornalista retrucou, dizendo que não havia bibliografia sobre o assunto, ao contrário da música americana. "Então se vira, vai entrevistar o pessoal", ouviu.

Foi assim que nasceu o grande pesquisador musical Tinhorão, hoje detentor de cerca de 13 mil LPs de 76, 78 e 33 rpm, 35 mil partituras, jornais, revistas, fotografias e uma biblioteca com 14 mil obras, não só sobre música, mas sobre cultura popular urbana em geral. Todo o material foi comprado em 2001 pelo Instituto Moreira Salles (IMS), que montou uma pequena exposição em seu centro cultural no Rio para marcar a aquisição. O mais diverso em poder do IMS, o acervo agora está sendo catalogado. Posteriormente, será disponibilizado para pesquisadores.

"Para mim, isso é muito importante", diz Tinhorão. "Não há no Brasil acervo sobre temas da MPB como este. Se eu passei a vida fazendo isso, se formei esse patrimônio intelectual, tenho de permitir que outros tenham acesso."

Durante anos, depois que se separou da primeira mulher, ele guardou tudo isso numa quitinete de 31 m², no centro de São Paulo (ele nasceu em Santos, morou no Rio até 1968 e desde então vive na capital paulista). Era tanta coisa que, ao dono do apartamento, restava dormir num saco de dormir. Essas e outras tiradas estão em "Tinhorão - O Legendário", biografia escrita por Elizabeth Lorenzotti e recém-lançada.

A publicação é da série Imprensa em Pauta, da Imprensa Oficial de Estado de São Paulo. Elizabeth, também jornalista, contou com a memória incrível do biografado, que lembra em detalhes itens de sua imensa coleção. São muitas as raridades, e ele cita o livro de modinhas Apollo, de 1865; o primeiro disco lançado no Brasil, em 1902, com o lundu Isto É Bom, de Xisto Bahia, cantado pelo cantor Bahiano; partituras manuscritas por Pixinguinha e Chiquinha Gonzaga. Isso sem falar em coleções de revistas do início do século 20. As informações são do Jornal da Tarde.

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