Crítica: Tom Cruise é a pior parte de ¿Operação Valquíria¿

LOS ANGELES ¿ Muito barulho tem sido feito sobre ¿Operação Valquíria¿, filme estrelado por Tom Cruise como um potencial assassino de Hitler, o coronel Claus von Stauffenberg. Primeiro foi a data de lançamento nos Estados Unidos, modificada muitas vezes até finalmente ser estabelecida no Natal, época perfeita para um filme edificante sobre a morte de nazistas. Também há o marketing: é um thriller histórico que mostra Tom Cruise com um tapa-olho, ou é um longa de ação direto cheio de explosões? E, claro, há o próprio fator Cruise ¿ o fato de que a sua presença adiciona uma fascinação com tempero dos tabloides.

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Acontece que Cruise é tanto a figura central em Operação Valquíria como também seu elo mais fraco. Ele está especialmente ruim nesse filme, porque a presença de sua figura pública eclipsa totalmente sua atuação. Ele é, de uma maneira poderosa, contemporâneo demais. Com um sotaque americano forte e claro, Cruise chama atenção a cada cena. E ele também não é um ator bom o suficiente para mergulhar nesse tipo de trabalho histórico, ou permitir que façamos a mesma coisa. (Entretanto, se ele tivesse um afetado sotaque alemão ¿ ou um britânico para se misturar entre os demais atores ¿ teria atraído piadas com isso também. Talvez o cara simplesmente não consiga acertar.)

É uma pena porque Operação Valquíria visualmente é ótimo. Com design de produção impecável e locações na Alemanha ¿ incluindo o Benderblock em Berlim, onde a Operação Valquíria começou e onde membros da resistência antinazista foram executados depois de falharem ¿, o filme parece real, nunca uma farsa em CGI, e avança com fluidez. Ninguém jamais duvidou da habilidade de Bryan Singer, diretor dos dois primeiros X-Men, para fazer um filme de ação enérgico. Mas ¿ e isso vai parecer ainda mais implicante ¿ Cruise mina o potencial de Operação Valquíria em cada momento.

Ele é sobrepujado e superado por cada integrante do forte elenco coadjuvante, do qual qualquer um teria sido mais convincente como protagonista: Kenneth Branagh, Tom Wilkinson, Terence Stamp e Bill Nighy como soldados alemães amigos, até mesmo Eddie Izzard, que é uma escolha única e inesperada.

Além disso, o roteiro de Christopher McQuarrie, que ganhou um Oscar por escrever Os Suspeitos, filme que projetou Singer, jamais expõe completamente a que veio. Stauffenberg é mostrado como um soldado leal do exército, que adora a Alemanha, mas que fica cada vez mais mais horrorizado com a ascensão de Adolf Hitler ao poder.

Nunca, no entanto, percebemos um conflito interno, a dúvida que ele talvez tenha experimentado ao trair seus deveres, o medo que possa ter enfrentado ao colocar a si e a família em perigo ao prosseguir com  seu plano. Quando Stauffenberg declara com uma certeza de maxilar cerrado, precisamos matar Hitler, temos apenas sua palavra de que ele acredita piamente na missão que está prestes a liderar.

Ele se junta à Resistência Alemã para o último de uma série de planos mal-sucedidos para eliminar Hitler, programado para 20 de julho de 1944. Stauffenberg devia plantar uma bomba e então encabeçar uma mudança de regime conhecida como Operação Valquíria, baseada no próprio plano emergencial de Hitler para manter o governo funcionando caso ele morresse.

Como todos sabemos desde o princípio, isso não aconteceu ¿ Hitler se matou um ano depois ¿ e surpreendentemente, Singer nunca gera suspense suficiente para fazer com que esqueçamos isso enquanto assistimos. Todo o esforço parece suavemente apartado. A sequência de orquestração da bomba é bem montada e tem alguns momentos de tirar o fôlego, mas uma cena que devia ser central e pungente ¿ quando Stauffenberg ergue relutante o braço parcialmente amputado e declara Heil Hitler! ¿, ao invés disso se transforma em algo risível.

(Texto de Christy Lemire)

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