Crise reduz peso da indústria no PIB brasileiro; serviços sobem

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A crise financeira mundial afetou a participação da indústria no PIB e o setor de serviços, que já era o mais expressivo da economia, ganhou ainda mais peso em 2009. O peso do setor industrial encolheu de 27,3 por cento em 2008 para 25,4 por cento do PIB em 2009. Ao mesmo tempo, o setor de serviços ampliou sua participação de 66,7 para 68,5 por cento, de acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

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"Todo mundo foi afetado pela crise, mas os serviços muito, mas muito menos que a indústria. Isso é normal no mundo porque é um setor que não tem relação com o resto do mundo e é um setor mais interno. O mundo inteiro está ficando com um setor de serviço mais pesado até porque é mais barato terceirizar", disse à Reuters a economista do IBGE Rebeca Palis.

"O setor de serviço no mundo todo caminha meio à margem do setor externo e isso serve de proteção", acrescentou.

Os serviços foram menos penalizados pele crise ao avançarem no ano passado 2,6 por cento, depois de crescerem 4,8 por cento em 2008. Por outro lado, a indústria teve queda de 5,5 por cento no ano passado, ante 4,4 por cento de expansão em 2008.

Segundo a economista, apenas os setores do segmento de serviços ligados à produção industrial como transportes de carga e comércio atacadista tiveram queda no ano passado. Esses dois setores encolheram 1,2 e 2,3 por cento, respectivamente.

A intermediação financeira, que reflete toda a atividade bancária, cresceu no ano passado 6,5 por cento, frente a 13 por cento em 2008.

"Eles baixaram os depósitos compulsórios, fizeram depósitos a prazo com garantia especial e os bancos públicos entraram em cena, além do seguro ter tido um bom desempenho em 2009. Tudo ajudou o setor, mesmo com o impacto da crise global", frisou Rebeca Palis.

O coordenador de contas trimestrais do IBGE, Roberto Olinto, acrescentou que o comércio, estimulado pela demanda interna, e o governo, com expansão de 3,7 por cento em 2009, também impulsionaram o segmento de serviços no ano.

"A mudança de peso de um ano para o outro não é tão relevante porque a estrutura produtiva do Brasil ainda passa pela indústria", disse. "O fato de serviços crescer não significa que a indústria brasileira esteja sendo destruída. É apenas uma rearrumação econômica. Isso é diferente que uma visão catastrófica."

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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