Crise pode afetar prevenção contra aids no País, diz ONU

A crise econômica mundial pode se tornar um “sério obstáculo” para o esforço do governo brasileiro de fornecer o coquetel contra aids a mais de 140 mil pessoas no País. O alerta é da Unaids, braço das Nações Unidas para o combate à doença, que teme que recursos internacionais usados em projetos de prevenção e tratamento em países emergentes possam secar nos próximos meses.

Agência Estado |

Dados da entidade mostram que, em quatro anos, o custo do programa brasileiro dobrou. “Em 2008, o governo brasileiro precisou de US$ 525 milhões (R$ 1,2 bilhão). O valor é duas vezes o que foi gasto em 2004”, aponta a Unaids, que publicou ontem seu relatório anual para marcar o dia internacional contra a doença, comemorado na próxima segunda-feira. “Países como o Brasil terão sérios desafios para continuar financiando seus programas”, disse Paul de Lay, diretor de políticas públicas da agência.

O novo relatório mostra que quase 60% dos pacientes no mundo ainda não têm acesso gratuito ao tratamento. São 4 milhões de pessoas com acesso a remédios, contra quase 10 milhões de desassistidos. “O maior desafio no momento para o Brasil é financiar a transição entre pacientes que recebem a primeira linha de remédios contra a aids para o fornecimento de remédios de segunda linha”, afirmou Lay. “O Brasil utilizou muitos mecanismos de ameaça e quebra de patentes para reduzir os preços cobrados pelas multinacionais. Mas agora, com a crise, os problemas podem ser bem mais sérios.”

Jamil Chade

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