Crise no Senado prossegue sem sinais de retomada de votações

BRASÍLIA (Reuters) - A crise que atinge o Senado entrou em seu segundo dia após o recesso parlamentar com pouquíssimos indícios de que o plenário da instituição tem condições de cumprir uma agenda de votações. Diversos partidos reiteraram o pedido de afastamento do presidente da Casa, senador José Sarney (PMDB-AP), e, diante do peemedebista, o líder do PSDB, senador Arthur Virgílio (PSDB-AM), fez um apelo para que o ex-presidente da República se case com sua biografia e abra mão de presidir a instituição.

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"Não se discute aqui votação", disse o tucano da tribuna. "Não consigo imaginar que vossa excelência... considere normal que o Senado funcione desse jeito", acrescentou.

Virgílio e outros senadores condenaram a estratégia de Sarney e de seus aliados --empreendida na véspera-- de atacar adversários tentando constrangê-los com dossiês e eventuais denúncias

"Ameaçar com dossiê é negócio de bandido, não de senador", reclamou o presidente do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE).

O clima no Senado ainda é de conflagração. Diversos senadores consideram que somente a saída de Sarney do cargo resolva o impasse. O senador, que iria fazer um novo discurso de defesa nesta terça-feira, deixou para quarta.

Nesta quarta-feira, o Conselho de Ética --de maioria aliada a Sarney-- se reúne para iniciar a avaliação dos onze processos contra o peemedebista, todos por quebra de decoro parlamentar.

Será no colegiado a principal arena política que pode resultar na licença temporária ou até mesmo na renúncia do senador.

Desde fevereiro, quando assumiu o cargo, José Sarney esteve a maior parte do tempo mergulhado na gestão de escândalos.

Entre as acusações, que envolvem o próprio Sarney, está a sua responsabilidade na edição de atos secretos (medidas administrativas não publicadas), o suposto favorecimento de empresa de seu neto em operações de crédito consignado a servidores do Senado e desvio de verbas da Fundação Sarney em patrocínio cultural da Petrobras.

(Reportagem de Natuza Nery)

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