arquivar as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e provocou mal-estar entre os próprios integrantes do partido. Para especialistas, este foi ¿mais um ponto negativo na já desgastante trajetória do partido. Porém, o episódio não deve afetar significativamente a imagem da legenda e tão pouco as eleições presidenciais de 2010. " / arquivar as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e provocou mal-estar entre os próprios integrantes do partido. Para especialistas, este foi ¿mais um ponto negativo na já desgastante trajetória do partido. Porém, o episódio não deve afetar significativamente a imagem da legenda e tão pouco as eleições presidenciais de 2010. " /

Crise no Senado desgasta imagem do PT, mas não deve influenciar para 2010

Com 29 anos de história, o Partido dos Trabalhadores se viu nesta semana envolvido em mais uma crise. O voto dos senadores petistas João Pedro (AM), Ideli Salvatti (SC) e Delcídio Amaral (MS) foi decisivo para http://ultimosegundo.ig.com.br/brasil/2009/08/19/pt+fecha+questao+no+conselho+de+etica+e+vota+pela+absolvicao+de+sarney+7973928.html target=_toparquivar as denúncias contra o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), e provocou mal-estar entre os próprios integrantes do partido. Para especialistas, este foi ¿mais um ponto negativo na já desgastante trajetória do partido. Porém, o episódio não deve afetar significativamente a imagem da legenda e tão pouco as eleições presidenciais de 2010.

Lecticia Maggi, repórter do Último Segundo |

É uma imagem negativa para o PT, mas a faixa majoritária do eleitorado, que não presta atenção em política, não deve ser impactada, considera o professor de ciência política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Fábio Reis, acrescentando que estes não são temas que sensibilizam o grande eleitorado. "Vemos o que aconteceu no Congresso como a cereja do bolo de um quadro que vem sendo amplamente negativo", diz.

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Lula e Sarney em encontro no Palácio do Planalto

Para a professora Maria do Socorro Braga, da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), o público que acompanha a história do PT sente que o partido perde, mais uma vez, a credibilidade, enquanto militantes e filiados ficam ainda mais coagidos. Já o eleitor que não acompanha o dia-a-dia do Senado não vai ser afetado, acredita.  

Orientação do partido

O presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), enviou, na sessão de quarta-feira, uma carta para ser lida no Conselho de Ética, na qual orientava os senadores petistas a absolverem Sarney, provocando mal-estar entre diversos petistas. O líder da bancada, Aloizio Mercadante (SP), que já havia sinalizado estar disposto a desarquivar pelo menos uma acusação contra Sarney, se recusou a ler a carta.

Após a votação, Mercadante chegou a anunciar que deixaria a liderança . Porém, em discurso na sexta-feira no Plenário, recuou e disse que ficará no cargo a pedido do presidente Lula. "Mais uma vez não tenho como dizer não ao presidente Lula. Meu governo errou, o partido errou e eu errei. Eu peço desculpas, mas, pela minha história com o Lula, não posso dizer não, afirmou.

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Mercadante recua e fica na liderança
No entanto, Mercadante não foi o único que se mostrou insatisfeito com a decisão dos colegas de partido. O senador Eduardo Suplicy (PT) se disse favorável ao recurso protocolado pela oposição contra o arquivamento das denúncias. Além disso, afirmou ter ligado para Berzoini e explicado que não achou a orientação adequada.

Decepcionado com a votação, o senador Flávio Arns (PR) anunciou também que deixará o partido . Não fiquei aborrecido com o resultado do Conselho de Ética, fiquei envergonhado. Foi um dia triste para a história da democracia, definiu.

Até mesmo quem votou a favor de Sarney disse só ter feito isso para seguir a orientação da legenda, como foi o caso do senador Delcídio Amaral . Fiquei constrangido, mas sou um homem de partido. Ser governo não é só ficar no bem bom, tem que mastigar o osso, afirmou.

De acordo com o professor Fábio Reis, o racha no partido mostrado nos últimos dias já vem acontecendo desde a criação do Partido Socialismo e Liberdade (Psol) em junho de 2004, por dissidentes do PT, e a crise política desencadeada pelo escândalo do mensalão.

No entanto, os especialistas concordam que a decisão de defender o PMDB não surpreendeu, visto que o partido é a principal base de apoio do governo Lula. O partido tem que votar no Congresso de acordo com as necessidades do governo. Tem que fazer manobras e concessões quando está no governo, a necessidade obriga a ter posições diferentes, justifica o professor Reginaldo Moraes, da Universidade de Campinas (Unicamp).  O cientista político acrescenta ainda que, assim como a representação contra Arthur Virgílio (PSDB) foi arquivada, era evidente que haveria um acordo para também arquivar as de Sarney.

Para Maria do Socorro, as eleições presidenciais de 2010 foram o principal fator que pesou para a decisão do PT. O apoio do PMDB em 2010 será muito importante. E também o Lula não tem porque criar um problemão no final do mandato e não passar mais nada (no Senado), disse ela, acrescentando que, apesar de estar no governo, o PT é minoria no Senado.

Lula

Segundo os cientistas políticos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não deve ter sua popularidade abalada pelas últimas decisões. Isso porque a imagem que construiu já independe da do partido.

Ele teve projeto de transformação para o País e nunca se apoiou no combate à corrupção, nunca fez campanha nesse sentido, afirma Reginaldo Moraes. Isso também explicaria, conforme os professores, por que, mesmo com as crises de 2004, Lula conseguiu se reeleger e não perdeu eleitorado.

Ele veio do sindicalismo, tem carisma, prestígio, fora a capacidade de articulação e discussão com os diferentes setores da sociedade. A partir de 2006, conseguiu atingir um eleitorado que o PT não atingia, que são as classes mais empobrecidas, completa a professora Maria do Socorro.

Eleições de 2010

Até pela ministra Dilma Rousseff (PT), principal candidata à Presidência da República pelo partido em 2010, seguir a linha desenvolvimentista de Lula, os professores consideram que ela não deverá ser prejudicada pelos rachas no seu partido. Eu duvido que eleitor já propenso a votar no PT se afaste pelas denúncias (do caso Sarney), afirma Reis.

Isso não significa, entretanto, que a candidatura da ministra deva ser fácil de ser emplacada. Ela não necessita de mais nenhum impacto negativo, justifica Reis. Ela não tem apelo popular e está saindo como mentirosa desse confronto com a Lina Vieira (ex-secretária da Receita).

Outro ponto que deve embaralhar ainda mais o disputa eleitoral em 2010 é a provável candidatura de Marina Silva à presidência pelo PV . A ex-ministra do Meio Ambiente deve atrair o eleitorado lulista, que se identifica com a biografia de origem popular do presidente, de acordo com especialistas. Os eleitores que ainda creem em um projeto alternativo devem optar pela Marina. O cenário ficará mais fragmentado e o que antes seria decidido num 1º turno com certeza deve ir para o 2º, arrisca Maria do Socorro.

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