Crise global põe em risco novos filmes independentes em Hollywood

LOS ANGELES - Filmes independentes similares ao bem-sucedido Juno não terão vez em Hollywood durante os próximos anos por culpa da crise global, afirmaram nesta sexta-feira especialistas na conferência financeira do American Film Market (AFM).

EFE |

A indústria do cinema entrou em um ciclo recessivo no qual foram produzidos menos filmes, especialmente de baixo custo já que representam um maior risco para os estúdios, que ignoram se recuperarão seu investimento.

As grandes superproduções com um elenco formado por estrelas do cinema prevalecerão durante os próximos anos nas bilheterias.

Produtores e analistas financeiros advertiram sobre maus tempos para Hollywood, que procura já investidores estrangeiros, no primeiro seminário do AFM 2008, feira da indústria do cinema mais importante dos EUA realizada esta semana em Los Angeles.

"Só a Warner e a Universal têm coberta sua quota de filmes para o ano que vem. Existe uma detenção brusca na contratação de projetos.

No próximo outono e na primavera de 2010, veremos uma escassez de produções", afirmou Mark Gill, diretor-executivo de The Film Department.

Uma situação que, de acordo com Mark Amin, membro do conselho de administração da Lionsgate, poderia se prolongar por até cinco anos.

"É difícil prever como vai se comportar o povo com as margens, tentando conseguir liquidez (...) eu acho que se chegará ao fundo do poço em dois anos e começará a recuperação em menos de cinco.

Sairemos desta antes do que pensamos, mas não suficientemente em breve", explicou Amin.

As primeiras vítimas da crise creditícia serão as produções independentes, o que foi confirmado pelos participantes da conferência, já que, embora sejam mais baratas, representam um risco muito maior para os grupos financeiros.

"Hoje em dia um filme como 'Juno', que foi o que eu mais gostei ano passado, não encontraria investidor. É mais simples conseguir o dinheiro caso se garanta que o filme será distribuído em mais de dois mil cinemas nos EUA, embora custe US$ 50 milhões", indicou Gill.

Essa circunstância representará uma guinada no funcionamento do mercado durante os últimos dois anos, quando o excesso de liquidez permitiu o florescimento de filmes de todo tipo, embora muitos deles não tivessem público.

"Há cinco ou seis estréias por fim de semana, como é possível sustentar isso? O que ocorreu é que havia muito capital no mercado", assegurou Lee Solomon, diretor de operações do Weinstein Company.

"Agora sai uma comédia ou um filme de ação a cada semana, antes estavam mais espaçadas e isso favorecia a rentabilidade de cada projeto", acrescentou Solomon.

Como conseqüência da crise financeira, os estúdios rebaixarão sua exposição a projetos alternativos ou argumentos pouco generalistas e buscarão aplicar fórmulas conhecidas de sucesso sustentadas pela participação de atores conhecidos.

"O que funciona é o suspense, a ação, a comédia romântica e alguns dramas. A ficção científica tem sucesso limitado. Existe interesse em usar marcas conhecidas pela audiência, como Sex and the City e Indiana Jones, porque a expectativa atrai rentabilidade", comentou Gill.

A redução do financiamento contribuirá para um ajuste no mercado, por um lado com a entrada de capital estrangeiro proveniente de áreas com liquidez, como o Oriente Médio ou com grandes grupos midiáticos, como a Índia.

"A queda dos ativos em bolsa favorecerá a aliança com novos investidores, como já ocorre com as autoridades de Abu Dhabi", disse P. Clark Hallren, responsável da divisão de entretenimento do JP Morgan.

Os conferencistas concordaram em sua perspectiva de que as novas tecnologias dinamizaram a forma na qual se aproveita os filmes, especialmente com as produções em três dimensões e a distribuição através de internet de dispositivos eletrônicos.

"Calculo que em cinco anos poderemos falar em ver filmes no telefone celular", declarou Gill, apesar dos estudos temerem que isso cause uma exposição excessiva à pirataria.

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