Cerca de 1,3 milhão de brasileiros engrossaram a lista de desocupados no último ano, segundo o IBGE. Crise foi ainda maior lá fora

 Na fotografia mais abrangente sobre o mercado de trabalho, a Pesquisa Nacional por Amostragem de Domicílios (Pnad) mostra sequelas da crise financeira mundial até então não vistas no País. Em 2009, um ano após reduzir o desemprego a seu menor nível nesta década, o Brasil amargou um aumento de 18,5% no total de desocupados. Significa que cerca de 1,3 milhão de trabalhadores engrossaram a lista dos desempregados, no maior salto desde 2001, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

A Pnad aponta que a taxa de desemprego avançou de 7,1% em 2008 para 8,3% da População Economicamente Ativa (PEA) em 2009. Mas não foi por redução no número de vagas. A população ocupada, pelo contrário, cresceu, só que não o suficiente para acompanhar o maior número de trabalhadores que resolveram procurar emprego.

Um dos coordenadores da pesquisa, Cimar Azeredo explica que muitas pessoas podem ter tentado entrar no mercado de trabalho quando a poeira da crise baixou, em meados do ano passado. As notícias de que a economia brasileira voltou rapidamente a reagir à turbulência podem ter influenciado a maior procura por trabalho. “A desocupação também reflete melhoria na economia. As pessoas procuram mais emprego quando se sentem estimuladas para isso”, resume.

Evolução da taxa de desemprego - Brasil - 2004 - 2009

Gerando gráfico...
Fonte: IBGE, Diretoria de Pesquisas, Coordenação de Trabalho e Rendimento, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2004-2009

Retrato mais fiel

A Pnad captou em 2009 uma população economicamente ativa de 101,1 milhões de pessoas, das quais 92,7 milhões estavam trabalhando (ocupados) e 8,4 milhões procuravam emprego (desocupados).

“Pela primeira vez foi captado o efeito da crise em todo o País em termos de ocupação e de mercado de trabalho”, afirma a coordenadora de Trabalho e Rendimento do IBGE, Márcia Quintslr.

A magnitude da crise sobre o desemprego não havia sido captada pela outra pesquisa do IBGE sobre mercado de trabalho. Na Pesquisa Mensal de Emprego (PME), a média da taxa de desocupação pouco oscilou entre 2008 e 2009, passando de 7,9% para 8,1% da população economicamente ativa. Diferentemente da Pnad, que é anual e alcança todo o País, a PME se limita às seis maiores capitais e é realizada mensalmente.

Números divulgados pela Pnad nesta quarta-feira
Arte/iG
Números divulgados pela Pnad nesta quarta-feira

Desemprego maior lá fora

A divulgação da Pnad não contraria a conclusão de que o pior da crise aconteceu longe do Brasil. Ao comparar os efeitos da crise no mercado de trabalho brasileiro com reflexos em outros países com dados que podem ser comparados, técnicos do IBGE constataram que em economias como Estados Unidos, França, Inglaterra e Japão o impacto foi mais expressivo.

Nos Estados Unidos, o desemprego saltou de 5,8% em 2008 para 9,3% em 2009. Na França, a taxa passou de 7,4% para 9,1%. Na Inglaterra, de 5,7% para 7,6%. No Japão, o aumento de 4% para 5,1% no desemprego faz muita diferença, segundo Azeredo, já que o país é conhecido por apresentar taxas baixíssimas de desocupação.

Taxa de desocupação no Brasil por nível de instrução
Arte/iG
Taxa de desocupação no Brasil por nível de instrução

Taxa de desocupação no mundo
Arte/iG
Taxa de desocupação no mundo

Reação em 2010

O presidente do IBGE, Eduardo Nunes, lembra que em 2010 a taxa de desemprego voltou a recuar, segundo mostra a Pesquisa Mensal de Emprego (PME). A pesquisa mostra que em junho o desemprego atingiu 6,9% da população economicamente ativa. Em 2009, a média era de 7,9%. "A pesquisa mensal já mostra recuperação neste indicador", afirmou. Ele afirmou que 2009, para ser analisado, deve ser dividido em duas partes: primeiro e segundo semestre, já que foi neste período que a economia voltou a crescer.

    Faça seus comentários sobre esta matéria mais abaixo.