RIO DE JANEIRO - O número de ricos no país encolheu 6% durante o agravamento da crise mundial no último trimestre do ano passado , apontou um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV). O levantamento destacou ainda que a crise não impediu o movimento de ascensão das camadas mais pobres do Brasil e a classe média ganhou mais representantes no ano passado.

A pesquisa mostrou que, de cada grupo de 100 pessoas, 6 caíram da faixa de renda mais alta para grupos inferiores, entre outubro de dezembro de 2008. A maioria foi para a classe média, mas houve casos de uma queda para a classe E.

"Nesse tipo de caso, quando a queda é muito aguda, talvez marido e mulher tenham demitidos no período da crise", disse Marcelo Neri, economista responsável pelo estudo "Crônica de uma Crise Anunciada: Choques Externos e Nova Classe Média Brasileira".

Pelos critérios da pesquisa, a classe mais pobre compreende uma renda familiar de até 804 reais e a classe média tem um rendimento entre 1.115 e 4.807 reais. São considerados ricos aqueles com renda familiar superior a 4.807 reais.

"A classe AB sentiu os efeitos mais fortes da crise. Ela reúne investidores, industriais e exportadores. A classe C, ou média, virou uma depositária de quem caiu da AB e de quem subiu da D e da E", destacou o economista ao ressaltar que a crise não interrompeu uma trajetória de ascensão social dos mais pobres no Brasil.

Segundo Neri, a rede de proteção social, fortalecida no governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva com incremento no Bolsa Família e aumentos reais no salário mínimo, "de certa forma blindaram" as camadas mais pobres da população dos efeitos negativos da crise global.

"Pela pesquisa, não há sinal de crise nas classes média e baixa. O Brasil está descolado da crise graças a pujança do seu mercado interno", frisou Neri.

(Reportagem de Rodrigo Viga Gaier)

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