Crise afeta resultados da Vale no 1o trimestre

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A geração de caixa da mineradora Vale foi fortemente afetada no primeiro trimestre do ano pela queda da demanda mundial e redução de preços, apesar de o lucro da companhia ter se mantido praticamente estável após ajustes pelas novas regras contábeis brasileiras.

Reuters |

De janeiro a março deste ano, a empresa lucrou 3,15 bilhões de reais, contra 3,18 bilhões de reais no mesmo período de 2008, enquanto a geração de caixa teve queda de 17,9 por cento, para 5,44 bilhões de reais.

A receita da empresa ficou em 13,2 bilhões de reais, 9,4 por cento abaixo do primeiro trimestre de 2008 e 26,6 menor do que o conseguido no quarto trimestre do ano passado.

"Em relação ao quarto trimestre de 2008, a redução da receita operacional bruta foi consequência direta da queda de preços (3,054 bilhões de reais) e menores volumes vendidos (1,909 bilhão de reais)", informou a companhia em um relatório nesta quarta-feira.

Segundo a Vale, o Ebitda foi quase todo gerado pelo segmento de minerais ferrosos, cuja participação aumentou de 51,2 por cento no primeiro trimestre de 2008 para 95,4 por cento no primeiro trimestre deste ano. Por outro lado, a participação do segmento de não-ferrosos encolheu de 5,2 por cento para 2,4 por cento, no mesmo período.

O menor nível de embarques impactou severamente a receita gerada com as vendas de pelotas e níquel, explicou a Vale, reduzindo-as em 1,769 bilhão de reais e 346 milhões de reais, respectivamente.

A queda de preços afetou mais a receita com vendas de minério de ferro, causando uma redução de 1,379 bilhão de reais, completou a companhia.

A China permaneceu como o principal destino das vendas, com participação na receita de 43,6 por cento; seguida pelo Brasil, com 11,9 por cento; Japão, 8,6 por cento; Estados Unidos, 5,3 por cento; Coreia do Sul, 4,5 por cento; Canadá, 3,8 por cento; e Alemanha, 3,6 por cento.

"Fora da China, a demanda por minério de ferro permanece extremamente fraca, com o Japão, o segundo maior importador, reduzindo suas compras em 34,4 por cento no primeiro trimestre relativamente ao primeiro trimestre de 2008", informou a Vale.

Pela regras norte-americanas, o lucro da mineradora brasileira caiu quase pela metade, para 1,3 bilhão de dólares, dos 2 bilhões de dólares obtidos há um ano. O resultado ficou em linha com pesquisa feita pela Reuters com cinco analistas.

PRODUTOS

O segmento de minerais ferrosos (onde se inclui o minério de ferro, principal produto da companhia) salvou a empresa de uma queda maior, ajudado pela demanda da China, que junto com a Coreia foram os únicos destinos de venda da Vale a registrar alta em relação ao primeiro trimestre do ano passado.

As vendas de minério de ferro e pelotas para a China subiram 43,3 por cento, para 35,4 milhões de toneladas no primeiro trimestre, enquanto para a Coreia subiram 30 por cento, para 3,2 milhões de toneladas na mesma comparação.

O Brasil reduziu suas compras de minério de ferro e pelotas da Vale de 13 milhões de toneladas para 3,3 milhões, e a Europa de 19,4 milhões para 5,1 milhões de toneladas.

No total, a Vale deixou de vender, na comparação anual, 21,3 milhões de toneladas de minério de ferro e pelotas no mundo inteiro.

O desempenho dos produtos não-ferrosos tiveram queda de receita de 25,5 por cento em relação há um ano, para 3,5 bilhões de reais, influenciados pela queda do preço do alumínio e redução de embarques de níquel e cobre.

A margem Ebitda dos não-ferrosos ficou negativa em 16,8 por cento, ante margem positiva de 38,3 por cento no mesmo período do ano passado, enquanto o Ebitda despencou de 3 bilhões de reais para 128 milhões de reais.

A receita com níquel, segundo principal produto, caiu dos 3,3 bilhões de reais de janeiro a março de 2008 para 1,477 bilhão de reais no mesmo período deste ano.

"A demanda global de níquel vem apresentando alguns sinais limitados de melhora", sinalizou a companhia em relatório.

NEGOCIAÇÃO

A Vale e outras mineradoras líderes de mercado --BHP e Rio Tinto-- estão em plena negociação com siderúrgicas para ajuste do preço do minério de ferro para os contratos de 2009.

Analistas apontam para quedas entre 20 e 40 por cento, diante da intenção das siderúrgicas de conseguirem redução de 50 por cento e das mineradoras de limitar a queda em 20 por cento.

Enquanto conversam, a Vale flexibilizou o pagamento do minério no segundo trimestre, com pagamento de 80 por cento à vista e 20 por cento a prazo, o que segundo analistas visou garantir a participação da mineradora no mercado, já que outras mineradoras estavam adotando o uso de desconto ou vendas com preço do mercado spot.

A queda de preços, no entanto, deve afetar o lucro do segundo trimestre, segundo analistas.

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