Crise afeta consumo de diesel no Brasil em novembro

Por Denise Luna RIO DE JANEIRO (Reuters) - A crise global e seus efeitos no Brasil fizeram cair o consumo de óleo diesel no país em novembro, principalmente puxado pelas ferrovias, informou o vice-presidente do Sindicato Nacional das Empresas Distribuidoras de Combustíveis (Sindicom), Alísio Mendes Vaz.

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De acordo com números do sindicato, o consumo de diesel caiu 3,3 por cento em novembro comparado ao mesmo mês do ano passado, para 3,032 bilhões de litros, contra 3,135 bilhões de litros consumidos há um ano.

Segundo ele, a expectativa do mercado antes do agravamento da crise era de crescimento de 8 por cento nas vendas do diesel em novembro.

"O impacto mais gritante que se percebe é a rota da exportação", disse Vaz a repórteres. "Houve uma redução fortíssima nas ferrovias".

Segundo ele, essa redução de consumo se deve à queda de demanda por minério e aço no exterior.

"A Vale é a maior consumidora individual de diesel no Brasil, se ela pára a gente sente o tranco", explicou Vaz, estimando em cerca de 15 milhões de litros por mês o consumo da mineradora diante dos 3 bilhões de litros consumidos no país inteiro.

A Vale anunciou no final de outubro que iria reduzir a produção em 30 milhões de toneladas, ou 10 por cento da produção. A empresa demitiu 1.300 pessoas e colocou mais 5,5 mil em férias coletivas.

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) também anunciou a paralisação de algumas unidades de produção e colocou 2 mil empregados em férias coletivas.

Também o consumo de gasolina caiu em novembro, para 1,547 bilhão de litros, uma queda de 2,8 por cento em relação ao ano anterior, também motivada pelo aumento de carros a álcool no país. O etanol teve alta de 17,7 por cento na mesma comparação, totalizando um consumo de 705 milhões de litros no mês passado e ruma para um fechamento recorde em 2008.

"O álcool deve fechar o ano com venda de 13 bilhões de litros, ultrapassando o consumo recorde de 11,5 bilhões de litros batido em 1990", informou.

Para Vaz, este ano o consumo total de combustíveis no Brasil deve ser recorde, apesar da crise, chegando a 76 bilhões de litros entre as associadas do Sindicom --que representam 80 por cento do mercado--, uma alta de 7,1 por cento em relação a 2007. Se considerar o mercado inteiro, a projeção sobe para 96 bilhões de litros, alta de 8,8 por cento contra 2007.

Segundo ele, 2009 deverá pelo menos repetir os números de consumo de 2008.

"Estamos entrando em um ano difícil e pode trazer ressurgimento de fraudes mais intensas nos combustíveis, nossa preocupação é de que a falta de crédito possa aumentar a fraude", disse o executivo.

Se confirmado o recorde, 2008 vai significar a volta das empresas ligadas ao Sindicom --entre elas Petrobras, Shell, Esso, Chevron, BP, Repsol-- aos patamares de venda de 1997, ano da abertura do setor de petróleo que permitiu a entrada de várias novas empresas no mercado.

Segundo o Sindicom, em muitos casos essas novas empresas --geralmente pequenas e que representam quase metade dos 20 por cento não associados ao Sindicom-- sonegam impostos e por isso conseguem vender combustível mais barato, ganhando fatia de mercado.

"Em momentos de crise, o temor é que essa prática volte a se intensificar", explicou Vaz.

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