Cerca de 100 soldados do Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) e do 18º BPM (Jacarepaguá) reforçam o policiamento na manhã desta quarta-feira na Cidade de Deus, zona oeste do Rio de Janeiro. Na noite de ontem, por volta das 21h30, doze pessoas ficaram feridas após um micro-ônibus ser incendiado por criminosos na Avenida Prefeito Miguel Salazar Mendes de Moraes.

De acordo com o motorista do coletivo da Viação Litoral Rio, que fazia a linha 701 (Alvorada-Madureira), uma mulher grávida fez sinal para que o veículo parasse. Logo após, um grupo de homens cercou o ônibus e um deles atirou um coquetel molotov. Aproximadamente 20 pessoas estavam no coletivo, mas nem todas conseguir sair do veículo antes das chamas se espalharem.

Para a Polícia Militar, o ataque criminoso teria sido uma represália à prisão de um jovem de 19 anos flagrado na Cidade de Deus com 75 papelotes de cocaína. A favela é uma das comunidades cariocas que possui uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP).

A PM realiza buscas na comunidade para descobrir os responsáveis pelo atentado. Segundo a corporação, até o momento, ninguém foi preso e nenhuma arma ou droga foi apreendida. O clima é considerado tenso na região.

"Vamos procurar essa gente e não vamos sossegar enquanto não prendermos os responsáveis por essa ação terrorista", disse o tenente coronel responsável pela UPP da Cidade de Deus, Sidnei Pazini.

A UPP na comunidade foi inaugurada em fevereiro do ano passado e tem cerca de 220 policiais militares. Apesar da redução dos índices de criminalidade , o tráfico de drogas vem resistindo à presença do policiamento comunitário e já ocorreram alguns confrontos entre supostos traficantes e policiais nos últimos meses.

"Ainda tem muita coisa para ser feita. É um trabalho de médio prazo. Essa comunidade ficou por muito tempo controlada pelo tráfico, aproximadamente 40 anos", avalia Sidnei Pazini.

Feridos

As vítimas do ataque criminoso foram levadas pelo Corpo de Bombeiros para o Hospital Municipal Lourenço Jorge, na Barra da Tijuca, onde passaram por uma triagem. São elas: Gabriel Lima, Rosângela dos Santos, Ana Sheila de Souza, Luciana Fernandes, Nara Martins, Anne Andrade, Cristiane da Silva Maciel, Karina Ferreira, Paula Núbia Rodrigues, Antônio Carlos de Godoy, Laís de Melo Rodrigues e Ronaldo Luiz Costa Ferreira.

De acordo com a secretaria municipal de Saúde, cinco pessoas tiveram alta e uma continua internada no Lourenço Jorge. Duas pacientes foram levadas para o Hospital Central da PM e uma para um hospital particular. Um ferido foi encaminhado para o Hospital do Andaraí e dois mais graves - sendo uma vítima com 70% do corpo queimado - para o Hospital Municipal Souza Aguiar.

*com informações da agência Reuters

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