Caso Tim Lopes

Jornalista foi assassinado por traficantes quando fazia uma reportagem investigativa sobre o tráfico no Complexo do Alemão, no Rio de Janeiro

Alessandra Oggioni, especial para o iG |

O jornalista Tim Lopes, de 51 anos, foi torturado e morto por traficantes na favela da Vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, em junho de 2002, quando fazia uma reportagem investigativa sobre bailes funk financiados pelo tráfico no Complexo do Alemão, subúrbio carioca. A morte do repórter da TV Globo foi ordenada por um dos líderes da facção Comando Vermelho, o traficante Elias Maluco. Ele e outros seis homens foram condenados por envolvimento no crime.

No dia 2 de junho de 2002, Tim Lopes saiu da sede da TV Globo para fazer mais uma reportagem investigativa. Com uma microcâmera escondida, ele pretendia filmar um baile funk na favela da Vila Cruzeiro, uma das comunidades do Complexo do Alemão. Ele investigava a denúncia de que havia exploração sexual de menores e consumo de drogas durante as festas patrocinadas por traficantes.

Ele já havia estado no local outras três vezes, mas ainda não tinha conseguido captar imagens dos bailes para comprovar a denúncia. Aquela seria a quarta vez que Lopes subiria a favela para tentar finalizar a reportagem.

Antes de chegar ao local, Lopes deixou combinado com o motorista Marcelo Moreira para buscá-lo no morro às 20h. No horário previsto, entretanto, ele avisou que precisaria de mais tempo para completar o trabalho e pediu que Moreira voltasse às 22h. Na hora acertada, o motorista voltou, mas o jornalista não apareceu mais.

Segundo depoimentos feitos à Justiça, naquela noite Lopes estava no baile funk da Vila Cruzeiro quando foi abordado por um segurança do tráfico. Levado até Maurício Martins, o Boi, do Comando Vermelho, sua microcâmera foi descoberta. Boi teria, então, ligado para o chefe da facção, Elias Maluco, que ordenou que o jornalista fosse levado até a favela da Grota.

De acordo com Ângelo Ferreira da Silva, preso em 13 de junho, Tim Lopes teve as mãos amarradas e foi levado de carro, para o topo da favela, onde foi baleado no pé, para não fugir. De lá, seguiram para a favela da Grota.

Ao chegar, os traficantes já o aguardavam para fazer uma espécie de “julgamento” e decidir se o matariam ou não. Em seguida, Tim Lopes foi torturado por um grupo de nove homens e executado por Elias Maluco com um golpe de espada. Depois, o corpo foi esquartejado e queimado em pneus em um local, conhecido como “micro-ondas” - usado por traficantes para incendiar vítimas e, assim, eliminar provas dos crimes.

Durante toda a semana, a polícia intensificou a busca pelos criminosos, pelo corpo de Tim Lopes e por testemunhas que pudessem auxiliar no desfecho do caso.

No dia 3 de junho, fragmentos de um corpo carbonizado e de uma mandíbula foram encontrados enterrados em um cemitério clandestino, na Vila Cruzeiro – a confirmação de que realmente se tratava de Tim Lopes foi dada um mês depois, após análise de DNA.

Antes da prova pericial, a morte de Lopes já havia sido confirmada por Fernando Sátiro da Silva, o Frei, e Reinaldo Amaral de Jesus, o Cadê, dois integrantes da quadrilha de Elias Maluco, presos em 9 de junho de 2002. Os depoimentos dos traficantes indicaram que o jornalista foi assassinado por conta de uma reportagem anterior, denominada “Feira de Drogas”, exibida pela TV Globo em agosto de 2001. Nas imagens feitas com uma microcâmera escondida, Lopes mostrou a venda de drogas nas ruas do Complexo do Alemão. Depois que a matéria foi veiculada, os negócios do tráfico diminuíram e alguns traficantes foram presos.

Na investigação, a polícia chegou ao nome de Elias Maluco como principal suspeito da morte do jornalista, além de indicar o envolvimento de mais oito homens no crime. Seis deles foram presos e dois morreram.

Elias Maluco foi o último a ser capturado, no dia 19 de setembro de 2002, depois de um cerco policial que durou mais de 50 horas na favela da Grota. O traficante já respondia por processos de homicídio, tráfico e sequestro. Ele havia sido preso em 1996, mas em julho de 2000 foi colocado em liberdade condicional, através de um habeas corpus. Em 25 de maio de 2005, Elias Maluco recebeu a sentença de 28 anos e meio de prisão pelo crime contra Tim Lopes. Atualmente, ele cumpre pena no presídio Federal de Campo Grande (MS).

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