Caso Ives Ota

Menino de oito anos foi sequestrado e morto depois de reconhecer um dos criminosos, que era policial e fazia a segurança de uma loja da família

Alessandra Oggioni, especial para o iG |

Na manhã de 29 de agosto de 1997, o menino Ives Yoshiaki Ota, de apenas oito anos, foi sequestrado em casa, na zona leste de São Paulo. Por ter reconhecido um dos criminosos, que era policial militar e fazia bico como segurança em uma loja da família, o garoto foi morto na madrugada do dia seguinte, com dois tiros no rosto. Mesmo depois da execução, os bandidos continuaram negociando o resgate. Os três envolvidos no caso foram condenados.

No dia do sequestro, Ives brincava com um primo na sala do sobrado onde morava, na Vila Carrão, em São Paulo. Enquanto os pais do garoto trabalhavam, o motoboy Adelino Donizete Esteves, inicialmente identificado como Silvio da Costa Batista, invadiu a casa fazendo-se passar por entregador de uma floricultura. Armado, rendeu a babá e pegou o menino. Em seguida, colocou-o num carro e o levou para a própria casa, que serviu como cativeiro.

Segundo a Justiça, a ideia de sequestrar Ives teria sido do policial militar Paulo de Tarso Dantas, que fazia bico como segurança em uma loja do pai do garoto, o comerciante Masataka Ota. A intenção era extorquir cerca de US$ 800 mil da família.

Mas, de acordo com depoimento de Silvio, logo que chegaram ao cativeiro, Ives reconheceu Dantas, que teria, então, ordenado a morte do garoto.

Naquela madrugada mesmo, o motoboy teria oferecido um copo de leite com chocolate e uma espécie de calmante ao menino. Sedado, ele logo adormeceu. Então Ives foi colocado em um buraco cavado no próprio chão do quarto de Silvio, embaixo do berço da enteada, onde foi colocado. Depois, o motoboy disparou duas vezes contra o rosto do garoto.

Divulgação
A mãe de Ives Ota virou deputada estadual
Mesmo depois de assassinar Ives, os criminosos continuaram a exigir o resgate à família Ota, com a promessa de libertá-lo. Após um pedido inicial de US$ 800 mil, o valor já havia chegado a US$ 80 mil.

No dia 5 de setembro, enquanto negociava o resgate em um telefone público com Masataka, Silvio foi preso. Ele confessou o crime e delatou Dantas e outro segurança da loja da família, o também soldado da Polícia Militar Sérgio Eduardo Pereira de Souza, que seria uma espécie de “seguidor” de Dantas. Os dois policiais foram detidos no mesmo dia, enquanto trabalhavam na loja de Masataka, no bairro de São Miguel Paulista, em São Paulo.

A polícia também identificou que a arma usada por Silvio durante o sequestro, uma pistola automática de calibre 380, pertenceria a Dantas.

No dia 2 de junho de 1998, data em que Ives completaria nove anos de idade, o juiz da 17ª Vara Criminal de São Paulo, José Luiz de Carvalho, condenou o motoboy Adelino Donizete Esteves (Silvio) a 45 anos e seis meses pelos crimes de sequestro, homicídio, ocultação de cadáver, falsidade ideológica e falsa identidade. Os dois policiais foram sentenciados a 43 anos e dois meses de prisão cada um por sequestro seguido de morte e ocultação de cadáver. O motoboy foi o único que confessou o crime.

Em outubro de 2005, por decisão da 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ), os três acusados passaram a cumprir a pena em regime semiaberto. Após a grande repercussão nacional, a família de Ives fundou o "Movimento da Paz e Justiça Ives Ota", em setembro de 1997.

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