Caso Goleiro Bruno

Ex-goleiro Bruno Fernandes é acusado de mandar matar Eliza Samudio, com quem teve um filho. Outros quatro envolvidos são julgados nesta segunda-feira (19) pelo júri popular

Fernando Serpone, especial para o iG | - Atualizada às

O ex-goleiro Bruno Fernandes é acusado de ter mandado matar Eliza Samudio, em junho de 2010, com quem teve um filho em uma relação extraconjugal. Para a polícia, o crime foi cometido porque o jogador não queria reconhecer a paternidade da criança. Bruno e outros quatro acusados vão a júri popular, que começa na segunda-feira (19). Ele está preso na penitenciária de Segurança Máxima Nelson Hungria, em Contagem (MG), e diz ser inocente.

Saiba quem é quem no desaparecimento de Eliza Samudio

Eliza desapareceu no dia 4 de junho de 2010, quando deixou um hotel no Rio de Janeiro e foi ao sítio do atleta, em Esmeraldas (MG). Ela viajou com o filho, Bruno Samudio, então com quatro meses. O jogador, à época, não concordava em assumir a paternidade da criança. Segundo amigos da jovem, Eliza teria ido ao sítio em busca de acordo sobre o reconhecimento do filho.

Vinte dias depois do sumiço de Eliza, a polícia recebeu denúncia de que ela havia sido espancada e morta no sítio de Bruno, e o bebê ainda estaria no local.

Policiais foram ao imóvel, mas não encontraram a criança. A mulher de Bruno, Dayanne Rodrigues, negou a presença do bebê no sítio. No entanto, o funcionário Wemerson Marques, conhecido por Coxinha, confessou ter recebido a criança de Dayanne, tendo repassado a um terceiro. Este, por sua vez, deixou o bebê com uma mulher em Ribeirão das Neves (MG), onde ele foi encontrado no dia 26 de junho. Atualmente, a criança está sob a guarda da mãe de Eliza, Sônia Fátima Moura, em Campo Grande (MS).

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No dia 28 de junho, a polícia fez uma varredura no imóvel atrás de pistas sobre o desaparecimento de Eliza. Policiais civis e homens do Corpo de Bombeiros realizaram buscas e escavações na propriedade do jogador por cerca de seis horas. Na ação, foram encontradas fraldas, roupas femininas e uma passagem aérea com nome ilegível.

A polícia também realizou uma vistoria no carro de Bruno. Havia manchas de sangue no assoalho e no porta-malas. A perícia comprovou que o sangue era de Eliza. Dentro do carro também foram encontrados um par de óculos escuros e sandálias, itens reconhecidos por testemunhas como sendo da jovem. No dia 1º de julho, o atleta quebrou o silêncio e disse a jornalistas no centro de treinamento do Flamengo que estava sofrendo com o desaparecimento de Eliza.

Reviravolta

Os detalhes do caso começaram a surgir quando, em entrevista a rádio Tupi no dia 6 de julho, um motorista de ônibus do Rio informou que o filho de uma sobrinha – um adolescente de 17 anos – teria participado do assassinato de Eliza. O adolescente Jorge Lisboa Rosa, hoje com 19 anos, e Macarrão, braço-direito de Bruno, teriam levado a jovem para o sítio do goleiro do Flamengo.

No trajeto para Minas Gerais, a bordo do carro de Bruno, Rosa teria dado três coronhadas com uma pistola na cabeça de Eliza. Ainda segundo a entrevista, Bruno teria entregado Eliza a um homem, o ex-policial Bola, que a mataria e sumiria com o corpo.

Com a denúncia, a polícia foi à casa de Bruno e apreendeu o adolescente. Em depoimento, ele confirmou que o goleiro mandou matar Eliza. Rosa disse ainda ter visto a mulher ser estrangulada. Em seguida, ela teria sido esquartejada e os pedaços do corpo dados para cães da raça rottweiler.

Prisões

No dia 7 de julho, foram decretadas as prisões de Bruno, Macarrão, Dayanne e mais quatro envolvidos. Com a repercussão negativa do caso, o Flamengo decidiu suspender o contrato do goleiro. No dia seguinte, foi decretada a prisão de Bola. Ele foi apontado pelo adolescente como o homem que teria assassinado Eliza. No mesmo dia, ele se entregou à polícia.

Em 29 de julho, a polícia concluiu o inquérito e indiciou Bruno por homicídio, sequestro e cárcere privado, ocultação de cadáver, formação de quadrilha e corrupção de menores. Também foram indiciados pelos mesmos crimes os demais envolvidos: Macarrão, Flávio Caetano de Araújo (Flavinho), Wemerson Marques de Souza (Coxinha), Dayanne Rodrigues, Elenílson Vitor da Silva, Sérgio Rosa Sales e Fernanda Gomes. Marcos Aparecido dos Santos foi indiciado por homicídio qualificado, formação de quadrilha e ocultação de cadáver.

No dia 4 de agosto, os nove envolvidos no caso foram denunciados pelo Ministério Público, que pediu também a prisão preventiva de todos. No dia seguinte, a Justiça aceitou a denúncia. O crime de sequestro e cárcere privado se referiu ao crime cometido contra o filho de Eliza. Para o promotor Gustavo Fantini, autor da denúncia, o sequestro e cárcere privado de Eliza acabaram suprimidos pelo crime maior, o homicídio.

Audiências

Ao depor nas audiências sobre o caso, Bruno disse que conheceu Eliza em uma orgia na casa de um colega do Flamengo. Segundo o acusado, essa foi a única vez em que eles fizeram sexo. No entanto, ele afirmou ter 99,9% de certeza de que o filho é dele. O goleiro disse ainda que, antes de desaparecer, Eliza o procurou para que ele cuidasse do bebê enquanto ela viajava para resolver problemas. “Más línguas falam que tirei criança da mãe, mas eu aceitei ficar com ela”, afirmou.

Em meio às audiências, Ércio Quaresma, que trabalhava como advogado de Bruno, deixou o caso ainda mais polêmico: após protagonizar uma série de episódios como dormir e roncar durante o depoimento de seu cliente, foi divulgado um vídeo em que ele aparece fumando crack. O advogado saiu do caso e recebeu uma suspensão de 90 dias da Ordem dos Advogados do Brasil. Segundo familiares de Bruno, ele também teria feito ameaças para continuar na defesa do goleiro.

Nas audiências, Jorge Rosa negou seus depoimentos anteriores, alegando que havia inventado a história do assassinato pois teria sido torturado e chegou a pedir desculpas a Bola por envolvê-lo na história. Anteriormente o jovem disse que viu Bola jogando partes do corpo da mulher aos cães.

A outra testemunha-chave do processo também chegou a mudar a versão dos fatos. Sérgio Rosa Sales, primo do jogador, negou suas confissões, dizendo ter sido torturado. Ele havia confirmado a presença de Eliza no sítio, assim como os horários e datas do transporte da jovem para o suposto local de execução. Ele ainda forneceu os nomes de pessoas envolvidas. Sales seria o sexto réu no júri, mas foi assassinado no dia 22 de agosto.

Em dezembro de 2010, quatro acusados foram libertados: Dayanne, Fernanda, Elenílson da Silva e Wemerson Marques. Todos foram absolvidos da acusação de assassinato, mas serão julgados por sequestro e cárcere privado do bebê. Os funcionários de Bruno, Elenílson e Wemerson, serão julgados em um próximo júri, que ainda não tem data prevista.

Os outros acusados tiveram vários pedidos de habeas corpus negados e devem continuar presos até o julgamento. Apesar de diversas buscas, o corpo de Eliza Samudio ainda não foi encontrado.

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