Caso Fernanda Viana

Depois de sequestrar e fazer a sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães refém por 60 horas, Leonardo Pareja fugiu e driblou a polícia por 39 dias

Alessandra Oggioni, especial para o iG |

A garota Fernanda Viana, de 13 anos, sobrinha do então senador Antônio Carlos Magalhães, passou três dias como refém nas mãos de Leonardo Pareja, em setembro de 1995. Ele sequestrou a menina em Salvador e depois a levou para um hotel na cidade de Feira de Santana, também na Bahia. Libertada, o sequestrador fugiu e foi preso somente 39 dias depois, em Goiás.

Aos 21 anos, foragido do Centro Penitenciário Agroindustrial de Goiás (Cepaigo), onde cumpriu um ano e meio de uma pena de nove anos por roubo de carros e assalto a postos de gasolina, Leonardo Pareja ganhou notoriedade nacional depois do sequestro de Fernanda Viana.

No dia 31 de agosto daquele ano, Pareja e o comparsa Ricardo Sérgio Rocha assaltaram o apartamento do publicitário Paulo Gadelha Viana, que estava acompanhado da filha Fernanda, em Salvador. Para garantir que Paulo faria o depósito do dinheiro exigido em uma conta bancária indicada por eles, os sequestradores levaram a garota para o Hotel Samburá, em Feira de Santana, na Bahia. Na ação, Rocha foi preso, mas Pareja, mesmo cercado pela polícia, conseguiu manter a menina como refém.

Depois de mais de 60 horas de negociação a polícia, no dia 3 de setembro, Pareja exigiu um carro para fugir. Na ação, levou com ele o advogado Luiz Augusto Lima da Silva, que se ofereceu para trocar de lugar com Fernanda. No caminho, abandonou o refém e seguiu para Goiás.

Desde o início da fuga, Pareja passou a provocar a polícia. Telefonava para emissoras de rádio e TV para dar entrevistas ao vivo e até dizia para qual localidade estava indo, desafiando as autoridades. Tamanha ousadia lhe rendeu até o apelido de “bandido da luz do flash”.

Mas em 2 de outubro, já em Goiás, Leonardo Pareja telefonou para a Rádio Subaé, de Feira de Santana, e disse que até dezembro voltaria ao local para libertar o comparsa, que foi preso durante o sequestro. Foi a partir desta ligação que a polícia conseguiu rastreá-lo.

Depois de 39 dias foragido, em 12 de outubro de 1995, houve perseguição e tiroteio nos arredores de Goiânia. Na ação, a garota Cíntia Martins Ferreira, de 13 anos, foi atingida na perna. Leonardo foi acusado de ser o autor do disparo e resolveu se entregar depois de exigir a presença de um juiz e da imprensa.

Cinco meses após sua volta ao presídio, no dia 28 de março de 1996, ele protagonizou outro episódio de repercussão nacional. Pareja foi um dos líderes de uma rebelião de seis dias no presídio de Cepaigo. Foi ele quem promoveu a negociação entre os presos e o governo e garantiu a liberdade dos cúmplices. Para completar a fama das fugas espetaculares, o jovem ainda conseguiu sair do local em um Omega, acompanhado de outros 43 presos e seis reféns, inclusive autoridades.

Mas Pareja foi recapturado no dia seguinte, quando se entregou depois de uma perseguição. Antes disso, ainda em fuga, ele chegou a parar em um bar para beber. Ele aparentava estar tão tranquilo que pediu três cervejas e três refrigerantes, pagou a conta com uma nota de 50 reais e não quis o troco.

Pareja permaneceu preso no quartel da Polícia Militar, em Porangatu (GO), mas foi reencaminhado de volta ao presídio em Aparecida de Goiânia.

Oito meses após a fuga, no dia 9 de dezembro de 1996, Leonardo Pareja foi assassinado com sete tiros à queima-roupa que teriam sido disparados por Eduardo Rodrigues Siqueira, o Baixinho, devido a disputas de poder na prisão.

O menino de classe média, que falava inglês e teve aulas de piano, entrou para o mundo do crime ainda adolescente. Aos 16 anos, já gostava de desafiar a polícia com badernas na rua, quebrando retrovisores de carros e pixando muros. Em seguida, começou a roubar carros e motos e a assaltar postos de gasolina.

Sua história foi retratada no documentário “Vida Bandida” (1996), dirigido por Régis Faria, e também inspirou o livro “Ensaio de Uma Vida Bandida” (editora Juruá), de autoria de Leandro França, lançado em 2008. Pareja havia sido condenado a 18 anos de reclusão em dois processos, por assalto à mão armada e sequestro.

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