Publicitária relatou em depoimento acreditar que pai premeditou a morte da mãe. Comerciante não comparece ao júri em Pernambuco

Zaldo Just e Nathália Just, filhos de Maristela Just, chegam ao Fórum de Jaboatão dos Guararapes, para o julgamento de José Ramos Lopes Neto, ex-marido de Maristela
AE
Zaldo Just e Nathália Just, filhos de Maristela Just, chegam ao Fórum de Jaboatão dos Guararapes, para o julgamento de José Ramos Lopes Neto, ex-marido de Maristela
"Foi um crime muito rápido. Ele não desperdiçou uma bala", afirmou a publicitária Nathália Just, de 25 anos, nesta terça-feira durante o julgamento de seu pai, o comerciante José Ramos Lopes Neto. Nathália prestou depoimento por aproximadamente duas horas, no Fórum de Jaboatão dos Guararapes, em Pernambuco, sobre a morte da mãe Maristela Ferreira Just em abril de 1989.

Neto é acusado de matar a ex-mulher Maristela e atirar nos dois filhos, Zaldo e Nathália, e no ex-cunhado Ulisses Ferreira Just. Segundo a acusação, na noite de 4 de abril de 1989, o comerciante invadiu a casa dos pais da ex-mulher disparou três tiros contra Maristela, um contra Zaldo (na época com dois anos), um contra Nathália (que tinha apenas 4 anos) e o outro contra ex-cunhado Ulisses Ferreira Just. Ele responde por crime de homicídio duplamente qualificado, por motivo torpe (vingança) e sem dar chances de defesa à vitima, e tentativa de homicídio qualificado.

À Justiça, Nathália afirmou acreditar que o crime tenha sido premeditado. Em longo depoimento, relatou que, após a morte da mãe, morou com os avós maternos até se casar, em 2007. Disse que o irmão, Zaldo, ficou sob os cuidados de uma tia. "Levei um tiro que atravessou o meu braço direito", afirmou, mostrando a marca em seu corpo.

A publicitária reafirmou que o pai não se conformava com a separação e, assim como a acusação, disse que esta foi a motivação para o crime. Os pais de Nathália estavam separados há dois anos.

Réu ausente

Neto não compareceu ao julgamento nesta terça-feira. Com a ausência, o comerciante - considerado foragido pela Justiça - é julgado à revelia. Segundo informações da juíza Inês Maria de Albuquerque, que iniciou a sessão por volta das 11h50 desta terça-feira, havia um pedido de prisão decretado contra ele desde 19 de maio. O decreto atende a pedido do Ministério Público Estadual para impedir que o acusado fuja do País.

A Defensoria Pública, que está representando a defesa do réu, afirmou que também não foi procurada por ele. Os dois defensores, porém, afirmaram que têm dados suficientes sobre o processo.

Nesta terça-feira, também foram ouvidos Zaldo e uma testemunha de defesa. O depoimento do irmão de Nathália foi rápido. Ele disse que não tinha lembranças do que havia ocorrido e relatou mais as sequelas provocadas pelo tiro e como foi a sua vida após o crime. A expectativa é que o julgamento dure de dois a três dias.

O caso

Após o crime, o comerciante foi preso em flagrante e passou cerca de um ano detido no presídio Aníbal Bruno, em Tejipió. Foi liberado por meio de um habeas corpus. Em junho de 2001, o então juiz da 1ª Vara do Júri de Jaboatão, João Roberto Moreira, divulgou a sentença de pronúncia do comerciante. A expectativa era que o julgamento ocorresse naquele ano, o que não aconteceu.

Novo julgamento deveria ter sido realizado em 13 de maio deste ano, mas foi adiado em razão da ausência do advogado de defesa, Humberto Albino de Morais. Lopes Neto também não compareceu ao próprio julgamento. Desde então, a Defensoria Pública assumiu o caso, a pedido da juíza do caso, Maria de Albuquerque, da Vara do Tribunal do Júri de Jaboatão. Por não ter justificado a falta à época, o advogado foi multado em R$ 25,5 mil por determinação da juíza.

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