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Criança também sofre de insuficiência renal

Criança também sofre de insuficiência renal Por Martha Alexandrino* A insuficiência renal em crianças e adolescentes é uma condição grave que pode afetar o desenvolvimento, a escolaridade, o bem estar social e emocional desses pacientes. No Brasil, os dados estatísticos são escassos, não se conhecendo a extensão da população afetada.

Agência Estado |

Estima-se que 1,5% da população na faixa etária entre 0 e 19 anos tenham doença renal crônica dialítica, segundo a Sociedade Brasileira de Nefrologia (dados de 2007).

A doença é definida como a falência parcial ou completa dos rins e pode ser aguda ou crônica. A insuficiência renal aguda é caracterizada pelo rápido declínio da função renal com retenção de toxinas no sangue. Geralmente acompanha doenças graves, porém, se tratada precocemente e de forma adequada pode ser reversível. A maioria dos pacientes que sobrevive a um episódio de insuficiência renal aguda recupera a função renal o suficiente para viver uma vida normal.

Já o paciente que sofre de insuficiência renal crônica está em situação bem mais delicada, uma vez que a doença é silenciosa, se instala de forma progressiva e irreversível. Os sinais de falência do órgão aparecem quando já perdeu mais de 70% da função.

As principais causas de insuficiência renal crônica na infância são as malformações ou obstruções das vias urinárias (dificuldade na drenagem da urina), as nefrites (doenças inflamatórias que acometem os rins), as doenças que cursam com cistos renais (rins policísticos), rins malformados e as doenças renais hereditárias (herdadas da família).

Os pais devem prestar atenção a sinais e sintomas que podem indicar a evolução da doença. Inchaço, vômitos freqüentes, infecções urinária de repetição, atraso no crescimento e desenvolvimento, problemas ósseos, anemias de difícil tratamento e hipertensão arterial podem ter ligação direta com o problema.

Ainda tem-se a falsa impressão de que a doença renal na infância está crescendo no País, porém, a verdade é que se tem estado mais atento aos sintomas. Mas mesmo assim, o diagnóstico tardio, infelizmente é muito presente na rotina do NefroPediatra (especialista Pediátrico que cuida das doenças renais).

O tratamento da insuficiência renal progrediu bastante nos últimos anos. Apesar de não haver cura definitiva quando estabelece-se o diagnóstico, o tratamento na fase inicial, a base de cuidados dietéticos e medicamentos, pode retardar a progressão da perda da função renal.

Quando estabelece-se a insuficiência renal crônica grave, necessita de terapia que substitua a função dos rins como: diálise peritoneal, hemodiálise ou transplante renal. Os princípios básicos e os procedimentos destes são semelhantes aos de adultos, porém, várias características técnicas, de materiais e de recursos humanos precisam ser conhecidas para a redução de riscos e obtenção de melhores resultados.

Na criança e no adolescente, um tratamento conservador bem conduzido, objetivando um transplante renal como uma primeira modalidade de substituição da função renal, deverá ser prioritário para minimizar o sofrimento das crianças e seus familiares.

É importante compreender o quanto é complexo ter uma criança ou adolescente portador de insuficiência renal crônica. A vida do paciente terá de se moldar ao contexto da doença como: freqüência a hospitais, máquinas de diálise, medicações, profissionais de saúde, restrições alimentares e hídricas, além de procedimentos agressivos, como colocação de cateteres e fístulas.

O paciente e a família devem ter assistência especializada, já que o processo a que as crianças com insuficiência renal são submetidas é muito delicado e afeta toda estrutura familiar.

* Martha Alexandrino é nefropediatra do Hospital Professor Edmundo Vasconcelos

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