Como se fosse gado, o menino A., de 9 anos, foi marcado a ferro quente com as iniciais HL entre a coxa e a região glútea.

A lesão permanente na criança ocorreu no interior da fazenda Acuri, em Aurilândia, a 150 quilômetros de Goiânia, e os acusados da agressão são os trabalhadores da propriedade João Taveira de Souza, de 55 anos, e Roman Justino Alves, de 32. A queimadura foi descoberta por uma professora - no mês de junho do ano passado - da Escola Municipal Branca de Neve, onde o menino estuda.

"Ela (professora) me disse que ele queixava de dor", afirmou a dona de casa Tereza Maria da Cruz, mãe do menino. "Quando botou a mão no menino, viu que estava com febre. Nós descobrimos a ferida um dia depois", disse. O menino foi queimado pelos trabalhadores justamente quando os auxiliava a marcar o gado existente na fazenda. Além da denúncia à policia, um processo de indenização já tramita no Fórum de Aurilândia contra os dois operários e o dono da fazenda, Luiz Silvestre. O valor da indenização é de R$ 140 mil para reparação dos danos morais e da lesão física.

A violência contra o menino somente veio a público agora devido à repercussão pela descoberta da tortura contra a menor L.R.S., de 12 anos, segundo a delegada Adriana Acorsi, da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA), em Goiânia. "Eu tenho mais de 500 casos de violência contra a criança sendo investigados", disse. "Aqui, todos dias são cinco ou seis denúncias. No ano passado foram mais de 600", afirmou. O Ministério Público do estado (MPE) informou que recebe diariamente entre 10 e 15 denúncias de maus-tratos.

A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados vai acompanhar os casos de A. e de L.R.S. a partir de amanhã. Segundo informou a deputada federal Iris Araújo (PMDB-GO), a comissão irá à delegacia da cidade, ao Instituto de Medicina Legal (IML) e ao Centro de Valorização da Mulher (Cevam), que abriga crianças e mulheres vítimas da violência.

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