Crescimento em coleta de esgoto é pífio, dizem especialistas

Só 44% dos domicílios do País tinham acesso à rede geral de esgoto em 2008. Em apenas 28,5%, o que é coletado recebe tratamento

Alessandra Oggioni, iG São Paulo |

O aumento no número de domicílios com acesso à rede de esgoto sanitário divulgado nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) ainda é considerado “pífio” na avaliação de especialistas consultados pelo iG . S egundo a Pesquisa Nacional de Saneamento Básico, 33,5% das 44,7 milhões residências brasileiras contavam com o serviço em 2000, ou seja, cerca de 15 milhões. Em 2008, o índice foi de 44% dos 57,7 milhões de domicílios, o que equivale a 25 milhões de casas com esgoto coletado.

“O número parece grande porque é comparado com algo que já era pequeno, mas o crescimento é pífio. A maior parte da população (56%) ainda não tem coleta de esgoto no século 21”, afirma o engenheiro sanitário e ambiental Gandhi Giordano, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ).

Na avaliação de Giordano, o valor investido até aqui pelo governo Luiz Inácio Lula da Silva em saneamento básico (R$ 21,4 bilhões de 2003 a 2009) ainda é insuficiente. Para o professor, é necessário um aporte de cerca de R$ 500 por habitante que ainda não recebe o serviço para solucionar de vez o problema de coleta e tratamento do esgoto, algo que, segundo ele, pode levar mais de dez anos. “Seria preciso um esforço coletivo de empresas, universidades, governo, além de um planejamento estratégico, para resolver a questão”.

Para o engenheiro Oscar Cordeiro Netto, professor de Saneamento da Universidade de Brasília (UnB), o levantamento mostra que a situação do saneamento “está evoluindo”, mas “ainda é insuficiente”. “O crescimento tem de ser maior para compensar o déficit”, afirma.

O especialista também levanta a questão do tratamento correto do esgoto, que é feito por menos de 1/3 dos municípios brasileiros. “Às vezes, existe a coleta, mas não o tratamento. Então, se resolve o problema de afastar o esgoto das residências, mas causa outro problema de proporção similar: a poluição de rios e lagos”, explica Netto.

Para ele, falta ainda uma gestão adequada para o saneamento, a fim de que os investimentos não sejam perdidos ao longo do tempo, seja por falta de manutenção ou por falhas nas gestões técnica e financeira dos serviços. “É um grande desafio reverter esse indicador social negativo”, diz o engenheiro.

* Colaborou Mario Rocha

    Leia tudo sobre: ibgelixãoaterro sanitário

    Notícias Relacionadas


      Mais destaques

      Destaques da home iG